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Irã é alvo do Estado Islâmico pela primeira vez

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TEERÃ - O governo do Irã se deparou com um episódio inusitado nesta quarta-feira, deixando as forças de segurança do país em alerta: o primeiro ataque terrorista promovido pelo Estado Islâmico em Teerã, capital do país. Em ação coordenada, miliantes abriram fogo dentro do Parlamento iraniano, enquanto um homem-bomba se explodiu do lado de fora do mausoléu do líder da Revolução Islâmica de 1979, aiatolá Khomeini. Os atentados deixaram ao menos 12 mortos e 39 feridos, segundo o serviço de emergência iraniano.

É o ataque mais violento em Teerã desde os anos turbulentos após a revolução nos anos 1970. Ataques dessa natureza são extremamente raros no Irã, particularmente na capital altamente controlada onde pontos turísticos e governamentais são fortemente policiados. A posse de armas é severamente controlada no país, o que gera especulações sobre tráfico de armas dentro do Irã.

— É, de fato, um incentivo à moral do Isis (outra sigla para Estado Islâmico), especialmente porque é o primeiro ataque bem sucedido no Irã — afirmou Dina Esfandiary, que estuda questões de segurança global no Centro de Estudo de Ciência e Segurança na King’s College de Londres.

Apesar do envolvimento ativo do Irã no combate ao EI no Iraque e na Síria, o grupo extremista sunita não havia realizado nenhum ataque dentro do país predominantemente xiita. No entanto, nos últimos meses, o grupo intensificou sua campanha de propaganda na língua persa, mirando a minoria sunita no Irã. Facções xiitas apoias pelo Irã unem forças contra o EI no Iraque e ajudam o governo do presidente Bashar al-Assad na Síria.

O Estado Islâmico, que segue a linha sunita do islamismo, classifica os xiitas como hereges e já realizou vários ataques contra povos que seguem a outra vertente da religião, principalmente no Iraque. As agências de inteligência iranianias já disseram ter frustrado uma série de conspirações jihadistas.

Em março, o Estado Islâmico publicou um vídeo raro em persa, alertando que “conquistará o Irã e restaurará a nação muçulmana sunita que já foi”. O grupo acusava o país de perseguir sunitas há séculos.

— O Estado Islâmico tem agitado o Irã por anos, mas seus apoiadores lá não recebiam muita atenção no passado — explicou Charlie Winter, do Centro Internacional de Estudos sobre Radicalização da King’s College, em Londres, ao jornal “The Guardian. — Em 2016, o Isis (outra sigla para Estado Islâmico) enalteceu sete suicidas iranianos que morreram em operações no Iraque e na Síria.

Segundo o pesquisador, o Irã é um país relativamente forte e estável, com serviços de segurança de fato eficientes:

— É por isso que não víamos um ataque até agora. Não duvido que o Estado Islâmico tenha planejado operações no Irã no passado. Essa é a apenas a primeira a obter sucesso.

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