Por Parisa Hafezi e Jonathan Saul e Phil Stewart
DUBAI/LONDRES/WASHINGTON, 14 Out (Reuters) - O Irã está adotando novas táticas para atacar navios que navegam pelo Estreito de Ormuz, na tentativa de manter os preços do petróleo elevados e influenciar as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, afirmaram duas autoridades iranianas de alto escalão à Reuters.
Teerã vem tentando exercer controle sobre o Estreito de Ormuz desde que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro. O país restringiu a passagem pela via navegável — que, antes da guerra, transportava cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito —, em um esforço para ganhar influência sobre Washington.
Suas ameaças e ataques reduziram drasticamente o tráfego pelo estreito, elevando os preços do petróleo, embora parte do petróleo tenha continuado a transitar.
As duas autoridades se recusaram a fornecer detalhes sobre a nova estratégia, mas uma delas afirmou que o Irã começou a usar diferentes táticas ofensivas contra embarcações que considerava estarem violando suas restrições há cerca de 10 dias, acrescentando que isso levou a um aumento nos ataques a esses navios.
A estratégia incluiu uma mudança tanto no tipo quanto no ritmo dos ataques, tendo como um dos objetivos influenciar o resultado das eleições nos EUA, disseram eles.
“O objetivo é frustrar os esforços dos Estados Unidos e de seus aliados para reduzir os preços globais do petróleo”, disse uma das duas autoridades.
A decisão de adotar a nova estratégia foi tomada nos mais altos níveis da liderança iraniana e foi totalmente coordenada em todo o sistema governamental do país, afirmaram as autoridades.
Um oficial militar dos EUA, falando sob condição de anonimato, confirmou que o Irã havia mudado de tática de uma maneira significativa: depois que os EUA destruíram grande parte das capacidades de radar do Irã, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã passou a utilizar observadores desarmados em pequenas embarcações para identificar alvos em potencial, incluindo navios da Marinha norte-americana, disse o oficial.
A guerra — e seu custo mensal de US$3 bilhões — tornou-se uma questão central na campanha eleitoral dos EUA para as eleições legislativas de meio de mandato de novembro, que decidirão o controle do Congresso.
O presidente dos EUA, Donald Trump, vem avaliando os próximos passos contra o Irã, mas afirmou que não atacará novamente antes da votação.
Enquanto isso, os EUA vêm intensificando seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos e ampliando as sanções, na tentativa de aumentar a pressão econômica sobre Teerã para que se chegue a um acordo que ponha fim ao conflito.
(Reportagem de Parisa Hafezi, Jonathan Saul e Phil Stewart)
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