Por Mark Gleeson
8 de junho (Reuters) - Quatro pares de irmãos disputarão a Copa do Mundo, todos representando países diferentes, o que reflete o impacto da imigração constante ao redor do mundo sobre o futebol.
Désiré Doué e seu irmão mais velho, Guela, nasceram na França, mas enquanto Désiré, jovem promessa do Paris Saint-Germain, joga pela seleção francesa, Guela é lateral direito da Costa do Marfim, país de origem do seu pai.
Os irmãos Williams, Iñaki e Nico, nasceram no País Basco. Nico, de 23 anos, foi eleito o melhor jogador da partida quando a Espanha derrotou a Inglaterra na final da Eurocopa de 2024.
O irmão mais velho, Iñaki, que completará 32 anos na próxima semana, jogou uma vez pela Espanha, mas apenas em um amistoso, o que lhe permitiu, após um hiato, mudar de nacionalidade e declarar-se por Gana, país de onde seus pais emigraram.
Também na seleção de Gana está o zagueiro Derrick Luckassen, de 30 anos, nascido na Holanda, uma inclusão de última hora na lista da Copa do Mundo como substituto de um companheiro lesionado. Ele se junta ao seu meio-irmão Brian Brobbey, que também disputará o torneio.
Brobbey, de 24 anos, é reserva no ataque da Holanda e chega à Copa do Mundo após um bom semestre pelo Sunderland, no Campeonato Inglês. Eles têm a mesma mãe, mas pais diferentes.
A Austrália convocou o zagueiro Harry Souttar, de 27 anos, enquanto seu irmão mais velho, John, jogará pela Escócia. Ambos nasceram em Aberdeen, de mãe australiana. Harry mudou de seleção há sete anos, após ter sido convocado para a seleção escocesa nas categorias de base.
Não há confrontos programados entre os irmãos na fase de grupos, mas, na semana passada, Désiré assistiu das arquibancadas em Nantes enquanto Guela marcava o primeiro gol, ajudando a Costa do Marfim a vencer a França por 2 x 1 em um amistoso de preparação.
“Claro, nós provocamos um ao outro um pouco antes da partida”, disse Guela, a repórteres após o apito final. “No fim das contas, somos familiares e ficamos muito felizes um pelo outro.”
Os dois irmãos, nascidos em Angers, no noroeste da França, deram seus primeiros passos juntos no Rennes, mas Guela, três anos mais velho, foi ofuscado pelo talento prodigioso do irmão mais novo, que o levou a se transferir para o Paris Saint-Germain e conquistar títulos consecutivos da Liga dos Campeões.
A imigração para a Europa nas últimas décadas abriu um grande reservatório de talentos para as seleções africanas, que recorrem à diáspora em busca de jogadores. Participantes da Copa do Mundo como Argélia, Cabo Verde, República Democrática do Congo, Marrocos, Senegal e Tunísia, têm mais jogadores nascidos na Europa em seus elencos de 26 jogadores do que nascidos em seus países de origem.
Houve apenas um caso de irmãos se enfrentando na Copa do Mundo - e isso aconteceu em dois torneios seguidos.
Jérôme Boateng estava na defesa da Alemanha enfrentando seu meio-irmão mais velho, Kevin-Prince, que vestia a camisa de Gana, na vitória por 1 x 0 dos alemães em Johanesburgo, na Copa de 2010.
Quatro anos depois, ambos estiveram novamente em lados opostos em Fortaleza, em um empate por 2 x 2 pela fase de grupos.
“Claro, foi algo especial, mas de alguma forma também foi diferente quatro anos depois”, disse Jérôme Boateng.
“Em 2010, foi realmente algo novo, algo extraordinário. Não quero dizer que tenha se tornado comum – porque uma Copa do Mundo nunca é comum. Mas também jogamos um contra o outro várias vezes no Campeonato Alemão”, acrescentou.




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