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Islândia vota em referendo acirrado sobre iniciar negociações para adesão à UE

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Islândia vota em referendo acirrado sobre iniciar negociações para adesão à UE
Islândia vota em referendo acirrado sobre iniciar negociações para adesão à UE

Por Tom Little e Johan Ahlander

REYKJAVIK, 29 Ago (Reuters) - Os islandeses votavam neste sábado sobre a reabertura das negociações de adesão à União Europeia, com a população dividida ao meio após uma campanha centrada no custo de vida, na segurança, na soberania e no controle sobre as águas de pesca.

O resultado está muito acirrado para se definir um vencedor. Uma pesquisa da Gallup divulgada na sexta-feira indicou que uma maioria estreita se opunha à proposta do governo de retomar as negociações, uma leve mudança em relação a pesquisas anteriores, que apontavam para uma vantagem estreita dos defensores da retomada das negociações.

Os defensores do “sim”, que apoiam as negociações, afirmam que aderir ao bloco poderia amenizar as altas taxas de juros e oferecer mais segurança em um mundo abalado pela guerra na Ucrânia e pelas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação a outra ilha do Ártico, a Groenlândia.

Os defensores do “não” argumentam que a adesão à UE ameaçaria a soberania da ilha e suas águas de pesca.

A campanha do referendo alimentou o debate sobre o lugar da Islândia no mundo, disse a primeira-ministra Kristrun Frostadottir a repórteres após votar na capital neste sábado.

“Este é um grande dia, esperamos há anos por isso para poder votar”, disse Frostadottir, acrescentando que seu governo continuaria seu trabalho independentemente do resultado.

Caso os eleitores votem “sim”, isso apenas abriria caminho para negociações com Bruxelas. A Islândia teria então que realizar um segundo referendo, provavelmente vários anos depois, para decidir se aderirá à UE.

QUESTÕES ANTIGAS, NOVA URGÊNCIA

A Islândia apresentou seu primeiro pedido de adesão à UE em 2009, em meio a uma crise financeira que atingiu com especial severidade a pequena e vulnerável economia do país. As negociações foram encerradas em 2013, quando um governo eurocético arquivou o processo.

A renovada turbulência geopolítica trouxe uma nova urgência a uma questão que os islandeses vêm debatendo intermitentemente há décadas.

Iwo Egill Macuga Arnasson, um estudante de 19 anos que votou em Reykjavik neste sábado, disse que votaria a favor das negociações propostas.

“Acho que isso vai influenciar muito a minha vida, quer entremos para a União Europeia ou não”, disse ele à Reuters.

As seções eleitorais fecham às 19h (horário de Brasília) e os resultados são esperados nas primeiras horas do domingo.

TAXAS DE JUROS, CUSTO DE VIDA E PESCA

Os debates na Islândia têm se concentrado mais nas taxas de juros, nos direitos de pesca e no custo de vida do que na segurança.

A Islândia tem enfrentado uma inflação persistentemente alta e taxas que tornaram as hipotecas extremamente caras, e os defensores do “sim” afirmam que a adesão à UE — e, possivelmente, a adoção do euro — poderia oferecer algum alívio. A taxa do banco central da Islândia está em 8,00%, contra 2,25% do Banco Central Europeu.

“Isso não resolveria as falhas estruturais da Islândia, mas poderia se tornar um catalisador para uma economia mais saudável”, disse Vilhjalmur Hilmarsson, economista-chefe da Viska, um dos maiores sindicatos da Islândia.

A líder da oposição, Gudrun Hafsteinsdottir, que liderou a campanha pelo “não”, disse que os argumentos econômicos são exagerados.

“Esses não são problemas que Bruxelas vai resolver para nós. São problemas que os políticos islandeses precisam resolver”, disse ela.

De acordo com as regras da UE, as cotas de pesca se baseiam, entre outros fatores, nos padrões históricos de pesca. Algumas autoridades argumentam que isso permitiria à Islândia manter o controle de suas águas, já que nenhum país da UE pesca ali há décadas.

Os opositores não estão convencidos. “Sei que a União Europeia fará algumas promessas de flexibilidade, especialmente no início, mas sabemos que isso não será para sempre”, disse Hafsteinsdottir.

Um memorando do Ministério das Relações Exteriores estima que as negociações de adesão possam começar até o final de 2026 e levar de 18 a 24 meses, caso a votação de sábado seja a favor da reabertura das negociações.

(Reportagem de Tom Little e Johan Ahlander, em Reykjavik, e de Stine Jacobsen e Louise Rasmussen, em Copenhague; texto de Stine Jacobsen; edição de Terje Solsvik e Ros Russell)

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