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Israel aprova pena de morte para palestinos condenados por ataques fatais

Israel aprova pena de morte para palestinos condenados por ataques fatais
Israel aprova pena de morte para palestinos condenados por ataques fatais

Por Maayan Lubell e Pesha Magid

JERUSALÉM, 30 Mar (Reuters) - O Parlamento de Israel aprovou nesta segunda-feira um projeto de lei que torna a morte por enforcamento uma sentença padrão para palestinos condenados por ataques fatais em tribunais militares, cumprindo uma promessa dos aliados de extrema-direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

No caso de israelenses condenados por assassinato, a lei deve se aplicar apenas quando os crimes tiverem como objetivo "acabar com a existência de Israel", o que, na prática, impõe a pena de morte a palestinos, mas não a israelenses judeus que tenham cometido crimes semelhantes, segundo críticos.

A legislação atraiu críticas internacionais a Israel, que já está sob escrutínio devido à crescente violência dos colonos judeus contra palestinos na Cisjordânia ocupada e sua guerra em Gaza.

A medida inclui disposições que exigem uma execução por enforcamento dentro de 90 dias da sentença, com alguma margem para atraso, mas sem direito à clemência. Ela oferece a opção de impor uma sentença de prisão perpétua em vez da pena capital, mas somente em "circunstâncias especiais" não especificadas.

Israel aboliu a pena de morte por assassinato em 1954. A única pessoa executada em Israel após um julgamento civil foi Adolf Eichmann, um arquiteto do Holocausto nazista, em 1962.

Tribunais militares da Cisjordânia já podem condenar palestinos à morte, mas não o fizeram.

A medida foi promovida por Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de extrema-direita que usou alfinetes de lapela em forma de forca antes da votação.

"Este é um dia de justiça para os assassinados, um dia de dissuasão para os inimigos", disse Ben-Gvir no Parlamento.

"Quem escolhe o terror escolhe a morte".

DISCRIMINAÇÃO

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, condenou a proposta, classificando-a como uma violação do direito internacional e uma tentativa condenada de intimidar os palestinos.

"Essas leis e medidas não quebrarão a vontade do povo palestino nem prejudicarão sua firmeza", disse o gabinete de Abbas em um comunicado.

"Nem os impedirão de continuar sua luta legítima pela liberdade, independência e o estabelecimento de um Estado palestino independente com Jerusalém Oriental como sua capital."

Os grupos militantes palestinos Hamas e Jihad Islâmica conclamaram os palestinos a lançar ataques em vingança à lei.

Os principais grupos de direitos de Israel condenaram a medida como "um ato de discriminação institucionalizada e violência racista contra os palestinos". A Associação de Direitos Civis em Israel disse que entrou com um recurso contra a lei na Suprema Corte de Israel.

A lei é a mais recente ação da coalizão nacionalista-religiosa de Netanyahu que gera preocupação entre os aliados ocidentais de Israel, que também têm criticado a violência dos colonos contra os palestinos na Cisjordânia.

(Reportagem de Pesha Magid e Maayan Lubell, em Jerusalém; Ali Sawafta, em Ramallah; e Nidal al-Mughrabi, no Cairo)

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