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Israel exige que Reino Unido feche o consulado em Jerusalém Oriental em até 30 dias, segundo fontes

Reuters
Israel exige que Reino Unido feche o consulado em Jerusalém Oriental em até 30 dias, segundo fontes
Israel exige que Reino Unido feche o consulado em Jerusalém Oriental em até 30 dias, segundo fontes

Por Alexander Cornwell

TEL AVIV, 9 Set (Reuters) - Israel comunicou ao Reino Unido que o país deve fechar seu consulado em Jerusalém Oriental no prazo de 30 dias, afirmaram nesta quarta-feira duas autoridades israelenses e duas fontes a par do assunto.

O fechamento do consulado, que representa o governo britânico em Jerusalém, na Cisjordânia e em Gaza em questões palestinas, faz parte de uma série de medidas retaliatórias tomadas por Israel em resposta ao anúncio, na terça-feira, de sanções contra os assentamentos israelenses por parte do Reino Unido, da França e do Canadá.

O ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, disse nesta quarta-feira que lamenta a decisão de Israel de ordenar o fechamento do consulado, mas afirmou que isso não foi uma surpresa.

“Ponderamos os custos e benefícios de agir... e concluímos que simplesmente não podíamos ficar de braços cruzados por temer uma ação israelense”, disse ele à BBC TV.

Na terça-feira, Miliband afirmou que Israel havia “fechado os olhos” à violência praticada por colonos contra palestinos.

Os diplomatas britânicos que trabalham no consulado, cuja presença em Jerusalém remonta a 1839, também perderão seu status diplomático em 30 dias, disseram as autoridades israelenses e duas fontes.

Autoridades britânicas designadas para uma missão de coordenação em Gaza liderada pelos Estados Unidos em Israel, bem como diplomatas britânicos baseados em Ramallah, receberam um prazo de sete dias para deixar o país, segundo uma das autoridades israelenses e as duas fontes.

Israel também anunciou que o Reino Unido não terá mais permissão para treinar forças de segurança palestinas na Cisjordânia e que 12 parlamentares britânicos e outros cidadãos, incluindo o ex-líder do Partido Trabalhista e crítico ferrenho de Israel, Jeremy Corbyn, terão a entrada no país proibida.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não respondeu a um pedido de comentário sobre o fechamento do consulado.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse no X que havia agradecido a Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador, da oposição britânica, por suas críticas às sanções.

Badenoch escreveu no jornal The Sun que o governo trabalhista do Reino Unido está “colocando seus próprios interesses partidários à frente do interesse nacional”.

Miliband disse na terça-feira aos parlamentares que, além de proibir a importação de mercadorias dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, o Reino Unido também tomará medidas contra empresas e indivíduos que prestam serviços aos assentamentos, incluindo “construção, infraestrutura, financiamento ou imóveis”. 

A França e o Canadá também afirmaram que proibirão a importação de produtos provenientes de assentamentos israelenses, enquanto outros nove países, incluindo a Dinamarca e Portugal, endossaram a ação britânica.

Em resposta, Saar classificou a ação do Reino Unido como “moralmente distorcida” e acusou o Reino Unido de “interferência flagrante nos assuntos de um Estado soberano e em seu processo eleitoral” antes das eleições israelenses do próximo mês.

As sanções são as mais recentes de uma série de medidas voltadas contra a política de assentamentos de Israel e ressaltam seu crescente isolamento diplomático do país entre alguns de seus aliados tradicionais.

Até o momento, a resposta dos Estados Unidos tem sido discreta, com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmando que Washington não deseja ver “nada que desestabilize” a Cisjordânia, ao mesmo tempo em que se recusou a comentar especificamente sobre as sanções do Reino Unido.

(Reportagem de Alexander Cornwell; Reportagem adicional de Paul Sandle, em Londres)

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