Por Nidal al-Mughrabi
CAIRO, 31 Jul (Reuters) - A implementação do acordo para trazer a paz a Gaza, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dependerá de Israel cumprir primeiro seus compromissos previstos no acordo firmado no ano passado, afirmou uma autoridade de alto escalão do Hamas à Reuters nesta sexta-feira.
Em uma postagem na sua plataforma Truth Social na quinta-feira, Trump anunciou um “grande marco” rumo ao fim da guerra em Gaza, afirmando que seu “Conselho da Paz” havia chegado a um acordo para o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados.
O anúncio veio após meses de esforços vacilantes para manter em andamento o acordo de cessar-fogo firmado no ano passado no resort egípcio de Sharm el-Sheikh, e não ficou imediatamente claro até que ponto o Hamas ou Israel apoiavam o acordo.
Em poucas horas, as autoridades médicas de Gaza informaram que vários palestinos haviam sido feridos em um ataque aéreo israelense no enclave. Não houve comentário imediato por parte das Forças Armadas israelenses.
Ghazi Hamad, um representante do Hamas envolvido nas negociações, disse que o grupo está pronto para aceitar um acordo que ele descreveu como “difícil e doloroso”.
No entanto, ele evitou usar o termo “desarmamento” e afirmou que o acordo é uma “estrutura abrangente” que dependeria da implementação, por parte de Israel, da primeira fase do acordo de Sharm el-Sheikh.
Segundo esse acordo, ele disse que Israel era obrigado a encerrar seus ataques em Gaza e retirar suas forças para as posições que ocupavam em outubro, além de aumentar o fluxo de mercadorias e ajuda humanitária que chegam ao enclave.
Somente então o Hamas concordaria em entregar suas armas para que fossem armazenadas pelo novo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), o órgão tecnocrático criado para administrar o enclave.
“Insistimos com os mediadores que Israel deve cumprir o acordo”, disse ele.
Na terça-feira, Trump se reuniu em Washington com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que enfrenta uma eleição em outubro na qual poderá precisar do apoio de partidos de direita que rejeitaram acordos anteriores em Gaza.
Na quinta-feira, uma fonte política israelense afirmou que Israel não concordaria em se retirar para trás da chamada Linha Amarela antes que o Hamas fosse desarmado e a Faixa de Gaza fosse desmilitarizada.
Tentativas anteriores de chegar a um acordo fracassaram em meio à desconfiança mútua e à insistência de cada lado de que o outro deve dar o primeiro passo.
O órgão de supervisão planejado para Gaza, o NCAG, divulgou um comunicado saudando “o progresso anunciado ontem em relação ao roteiro e à abertura de um caminho para o início de sua implementação”. O órgão afirmou estar pronto para assumir suas responsabilidades, enquanto a Alemanha, um dos principais doadores, declarou que faria sua parte para ajudar no acordo.
Os habitantes de Gaza, que ainda lutam pela sobrevivência básica depois que a campanha militar israelense — em resposta ao ataque mortal do Hamas a Israel em 2023, que devastou o enclave —, permaneceram céticos.
Dentro de um acampamento de tendas na cidade de Gaza, onde mulheres estavam ocupadas enchendo galões de plástico com água, palestinos deslocados instaram Trump a obrigar Israel a cumprir o acordo.
“Trump, você deveria começar pela sua parte: cessar-fogo, parar com os assassinatos e concluir a retirada do Exército israelense da Faixa de Gaza”, disse Samir Ayad, de 60 anos.
“Não estamos vendo nenhum acordo, nada do que ele (Trump) está dizendo”, afirmou ele à Reuters.
(Reportagem de Nidal al-Mughrabi)




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