Autoridades israelenses disseram que levarão a Israel para interrogatório dois ativistas que lideravam uma flotilha de ajuda com destino a Gaza e que foram capturados por Israel em águas internacionais do mar Mediterrâneo.
Os ativistas, Saif Abukeshek, cidadão espanhol-sueco de origem palestina, e o brasileiro Thiago Ávila, estavam entre dezenas de pessoas interceptadas pela Marinha israelense ao largo da costa de Creta. Eles são membros do comitê diretor da Global Sumud Flotilla, cuja missão era romper o bloqueio naval de Israel e levar ajuda humanitária ao território palestino.
Ao todo, 22 barcos e 175 ativistas foram interceptados pela Marinha israelense. Os ativistas disseram que forças israelenses abordaram as embarcações, danificaram motores e detiveram algumas das pessoas a bordo. O incidente ocorreu a centenas de quilômetros de Gaza e de Israel, durante a noite de quarta para quinta-feira.
Autoridades israelenses afirmaram que precisaram agir antes que a flotilha chegasse às águas israelenses, devido ao grande número de embarcações envolvidas.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel disse nesta sexta-feira, em uma publicação no X, que levaria os dois ativistas a Israel para interrogatório e que Abukeshek é "suspeito de afiliação a uma organização terrorista" e Ávila, "suspeito de atividade ilegal", sem apresentar evidências.
Ativistas denunciam maus-tratos
A Global Sumud Flotilla pediu apoio internacional para pressionar Israel a liberar os ativistas. A organização afirmou estar particularmente preocupada com Abukeshek - que estava a bordo de um barco de observação e não planejava navegar até Gaza - e com Ávila.
"Não sabemos se eles ainda estão em águas gregas", disse Lara Souza, esposa de Ávila. Ela acrescentou que o governo brasileiro afirmou que, quando os dois chegassem a águas internacionais, seria mais difícil retirá-los. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não respondeu a um pedido da AP por comentários.
Em uma mensagem de áudio divulgada hoje, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, exigiu a libertação imediata de Abukeshek. Cerca de outras 30 pessoas com cidadania espanhola desembarcaram em Creta e receberam assistência da embaixada na Grécia, afirmou.
Os organizadores da flotilha disseram que as autoridades israelenses negaram aos ativistas comida e água e os obrigaram "a dormir no chão, que era deliberada e repetidamente inundado".
Quando forças israelenses passaram a levar Abukeshek e Ávila, o grupo resistiu e foi alvo de "violência extrema", disseram os organizadores em comunicado. "Participantes foram socados, chutados e arrastados pelo convés com as mãos amarradas para trás. Tiveram narizes quebrados, costelas fraturadas e sofreram espancamentos. Houve até disparos no caos."
Cerca de 34 pessoas, incluindo cidadãos dos EUA, Austrália, Colômbia, Itália, Ucrânia e outros países, ficaram feridas e foram levadas ao hospital após o desembarque, segundo os organizadores.
As autoridades israelenses não responderam de imediato às acusações. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, disse ontem que os ativistas "retirados das embarcações" saíram ilesos.
Das 53 embarcações que navegavam antes da interceptação, 31 chegaram a águas seguras e seguiriam tentando "romper o cerco ilegal a Gaza", de acordo com os organizadores. A flotilha partiu em meados de abril de Barcelona, na Espanha.



