EAST RUTHERFORD, Nova Jersey, 14 Jun (Reuters) - Para um adolescente que disputava sua primeira partida internacional oficial, Ayyoub Bouaddi parecia totalmente à vontade enquanto Marrocos enfrentava de igual para igual o Brasil em sua estreia na Copa do Mundo, no sábado.
O jogador de 18 anos exibia uma postura imponente enquanto se movimentava incansavelmente pelo campo, sempre em busca de jogadas, em uma atuação impressionante no meio-campo que ajudou os norte-africanos a empatarem em 1 a 1 com os pentacampeões mundiais no confronto do Grupo C.
Frequentemente, ele avançava com a bola grudada nos pés e os zagueiros ricocheteando nele, em uma impressionante demonstração. As estatísticas pós-jogo mostraram que ele teve mais toques na bola (86) do que qualquer um de seus companheiros e uma precisão de passe superior a 90%.
Ele já é uma estrela em ascensão há algum tempo no Lille, da Ligue 1, e não é de se admirar que os marroquinos tenham se empenhado incansavelmente para convencer o prodígio nascido na França a mudar de seleção.
A Fifa só aprovou a mudança em 15 de maio, e o confronto de sábado foi apenas a quarta partida de Bouaddi pela seleção -- as três primeiras pelo Marrocos ocorreram em jogos de preparação para a Copa do Mundo nas últimas três semanas.
O técnico Mohamed Ouahbi tomou uma decisão ousada ao trazê-lo para um elenco já bem estabelecido e escalar Bouaddi contra o Brasil, e depois não conseguiu esconder sua alegria: “Sabíamos que ele era um jogador de qualidade e foi por isso que tivemos muitas reuniões para convencê-lo a jogar pelo Marrocos”, disse ele a jornalistas.
Bouaddi deixou Marrocos na expectativa enquanto ponderava sua escolha, tendo sido capitão da seleção sub-21 da França até março, antes de se comprometer com a causa da equipe africana.
Ele já estava firmemente no radar desde a noite de seu aniversário de 17 anos, quando fez uma entrada igualmente elegante de 90 minutos em um palco imponente pelo Lille na vitória por 1 a 0 sobre o Real Madrid na Liga dos Campeões, em 2 de outubro de 2024.
Ele foi carregado nos ombros dos companheiros de equipe ao apito final, e o então técnico Bruno Genesio previu: “Ele é um rapaz muito inteligente. Tem talento para jogar neste nível. Precisa provar seu valor, mas não acho que haja muito com que se preocupar nesse aspecto com ele.”
Fora de campo, Bouaddi já provou ser um aluno excepcional, obtendo as maiores honras em seu bacharelado em ciências aos 16 anos, um ano antes do previsto.
Um ano antes, ele havia ido ao Palácio do Eliseu e, na presença da primeira-dama francesa Brigitte Macron, conquistou o primeiro lugar no concurso de oratória da academia de jovens, apresentando seu discurso sobre o tema "O resultado é superior ao método?".
(Texto de Mark Gleeson)



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