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Justiça aceita recuperação judicial da Tradener, 1ª comercializadora de energia do Brasil

Reuters
Justiça aceita recuperação judicial da Tradener, 1ª comercializadora de energia do Brasil
Justiça aceita recuperação judicial da Tradener, 1ª comercializadora de energia do Brasil

SÃO PAULO, 22 Mai (Reuters) - A 2ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba (PR) aceitou nesta sexta-feira o pedido de recuperação judicial apresentado pela Tradener, empresa que foi pioneira no mercado de comercialização de energia elétrica no Brasil e que busca agora reestruturar um passivo de R$1,7 bilhão.

O caso aprofunda a crise vivida pelo mercado brasileiro de comercialização, que afeta principalmente as empresas independentes, não ligadas às grandes geradoras de energia. O segmento observa uma piora no ambiente de negócios desde 2024, quando a quebra da comercializadora Gold desencadeou problemas financeiros para diversas casas.

Isso culminou mais recentemente em uma crise de reputação e crédito para as comercializadoras, o que reduziu drasticamente a liquidez para compra e venda de energia no país.

A recuperação judicial da Tradener, aceita pela juíza Luciane Pereira Ramos, inclui também a empresa Tradener Serviços em Energia e as sociedades D.G.W. Participações Ltda. e Fraternita Participações.

Na lista de credores do grupo, que soma R$1,7 bilhão em passivo quirografário, aparecem desde grandes empresas de capital aberto, como elétricas e bancos, até consumidores de menor porte e cooperativas agroindustriais.

Nos documentos à Justiça, a Tradener alega ter sofrido com uma severa crise econômico-financeira devido a "fatores extraordinários e setoriais" ligados ao mercado livre de energia brasileiro.

Um dos problemas mencionados foram "alterações regulatórias, operacionais e metodológicas que modificaram a dinâmica de formação do PLD (preço de energia) horário e ampliaram a exposição financeira dos agentes que atuam na comercialização de energia".

O preço de energia elétrica de curto prazo no Brasil tem mostrado maior volatilidade desde o ano passado, quando o governo ajustou os parâmetros de aversão a risco do modelo de precificação de energia.

De acordo com a Tradener e outras comercializadoras, essa maior volatilidade de preços tem contribuído para um desequilíbrio financeiro das empresas, principalmente devido ao descasamento entre a curva horária da energia adquirida e a curva de carga da energia vendida.

A recuperação judicial da Tradener vem após uma tentativa de mediação com credores, que, segundo a empresa, não avançou porque medidas individuais de credores e decisões da Justiça do Paraná inviabilizaram as negociações e agravaram sua situação financeira.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)

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