Uma decisão judicial histórica na Carolina do Sul suspendeu a execução de John Richard Wood, de 59 anos, condenado à morte pelo assassinato de um policial há mais de duas décadas. A juíza Grace Knie determinou que o detento não possui capacidade mental para compreender a própria punição, baseando-se no fato de Wood sofrer de esquizofrenia grave e acreditar piamente ser imortal.
A decisão foi sustentada por um consenso raro: três especialistas — incluindo um psiquiatra da promotoria, um independente e um psicólogo da defesa — concordaram que o réu não atende aos requisitos legais de competência para a pena de morte.
John Wood foi condenado em 2002 pelo assassinato do policial rodoviário Eric Nicholson, ocorrido durante uma abordagem de trânsito no ano 2000. No entanto, sua saúde mental deteriorou-se drasticamente no corredor da morte. Segundo os laudos, Wood apresenta um quadro de desconexão com a realidade que inclui:
Crença na Ressurreição: O detento afirma já ter "morrido e voltado" três vezes na prisão e acredita que ressuscitará caso a injeção letal seja aplicada.
Indulto Imaginário: Ele está convencido de que já recebeu o perdão oficial do governador da Carolina do Sul, Henry McMaster.
De acordo com a juíza, essa condição impede que Wood tenha uma compreensão factual de seus crimes ou do motivo pelo qual o Estado pretende puni-lo. Ele é o primeiro preso considerado incapaz para execução na Carolina do Sul desde que o estado retomou a pena capital em setembro de 2024.
O caso de Wood surge em um momento de intenso debate sobre os métodos e a frequência das execuções no país.
Estatísticas e Métodos:
Em 2025, os EUA registraram 47 execuções, o maior número desde 2009.
A injeção letal continua sendo o método principal, mas novas diretrizes federais aprovadas em abril de 2025 autorizaram o uso de pelotões de fuzilamento para crimes federais.
Atualmente, cinco estados americanos já permitem o fuzilamento: Idaho, Mississippi, Oklahoma, Utah e a própria Carolina do Sul.
Divisão Estadual: A aplicação da pena de morte reflete a profunda divisão do país: enquanto 23 estados já aboliram a prática, outros três mantêm moratórias. Em 2026, dez execuções já foram realizadas até o momento, concentradas nos estados da Flórida, Texas e Oklahoma.



