RIO - Ainda restringido de dar detalhes sobre a investigação que o inocentou da acusação de assédio sexual por um acordo de confidencialidade, Luiz Loures falou com exclusividade ao GLOBO sobre decisão anunciada nesta sexta-feira de deixar o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), em que atuou durante 22 anos, e seus planos para o futuro.
Quanto a detalhes da denúncia e da investigação, não posso falar muito pois ainda estou sob as restrições do acordo de confidencialidade, mesmo porque continuo na minha posição de vice-diretor executivo do Unaids pelo menos até o fim de março. Mas posso dizer que o processo foi bastante rigoroso e independente, não deixando dúvidas de que o caso está fechado e sou inocente. Foram muitas idas e vindas em dois anos de apuração numa investigação muito séria que não foi conduzida por burocratas, mas por pessoas especializadas em casos assim, sem nenhum tipo de influência ou pressão da parte da direção do Unaids ou da ONU.
Me juntei ao Unaids desde o início do programa, em 1996, fazendo parte de sua primeira equipe, e depois de 22 anos já estava pensando que tinha cumprido meu ciclo. Tem momentos na vida que chega a hora de se mexer, mas claro que o impacto da denúncia e sua repercussão, mesmo eu tendo sido declarado inocente, acabaram acelerando um pouco este movimento.
O mundo não está ficando melhor. Pelo contrário, está mais problemático e em sofrimento. São desafios por todos os lados, conflitos, migração, refugiados, mudanças climáticas. Tudo isso exige mais e mais atuação humanitária, e é o que pretendo continuar a fazer. Quero fazer algo a respeito de tudo isso que está acontecendo no mundo, só que menos burocrata e mais próximo da ponta, de quem precisa. Onde e como, porém, ainda não sei, e é o que vou trabalhar a partir de agora.

