Por Nicole Fernandes
TORONTO, 1 Jul (Reuters) - O confronto entre Portugal e Croácia pelos 16 avos de final da Copa do Mundo, na quinta-feira, pode ser a última partida de Cristiano Ronaldo ou Luka Modric no maior palco do futebol, e esse momento histórico acontecerá no menor estádio do torneio.
Se havia algum ceticismo sobre como o Estádio de Toronto, com 43.036 lugares, se sairia diante de seus pares muito maiores nos Estados Unidos e no México, esse ceticismo foi dissipado pela atmosfera eletrizante, pelo público que esgotou os ingressos e pelos momentos especiais vividos nas cinco partidas da fase de grupos que sediou.
O Estádio de Toronto não é o local mais grandioso, mas o que lhe falta em tamanho é compensado por aproximar os torcedores da ação e dos jogadores, com poucos assentos ruins.
Antes de sediar partidas da Copa do Mundo, a casa do Toronto FC, da Major League Soccer, passou por uma reforma de 158 milhões de dólares canadenses (US$111,4 milhões) para elevar sua capacidade aos padrões do torneio, e essas mudanças temporárias estão valendo a pena.
O torcedor de futebol James Cuthbert disse que o local não parecia um estádio de Copa do Mundo em março, quando o Canadá enfrentou a Islândia em um amistoso, pois ainda estava em reforma. Mas quando ele voltou para a partida da fase de grupos entre Senegal e Iraque na última sexta-feira, ficou impressionado.
“Parece diferente, parece mais um estádio de nível mundial”, disse Cuthbert, que também assistiu à Copa do Mundo de 2010 na África do Sul.
Cuthbert e sua esposa estavam sentados na fileira de trás de uma seção do nível 200 no Estádio de Toronto, mas ficaram muito satisfeitos com a vista.
“Estamos nos assentos mais altos, mas a sensação é incrível”, disse ele. “Só de estar tão perto de tudo e ainda sentir aquela mesma atmosfera de Copa do Mundo.”
PEQUENOS, MAS PODEROSOS
Os estádios da liga norte-americana de futebol americano, a NFL, que sediam jogos da Copa do Mundo nos EUA são impressionantes por si só. Com capacidade para 64.000 a 80.000 pessoas, eles acomodam mais torcedores nas arquibancadas, e o meia-atacante belga Kevin De Bruyne disse que os estádios de Seattle e Los Angeles transmitiam uma verdadeira sensação de NFL.
O México também abriga um dos locais mais históricos do futebol: o Estádio Azteca, com 80.824 lugares, onde o grande Pelé, do Brasil, e o argentino Diego Maradona conquistaram a Copa do Mundo. Este último também marcou seus famosos gols da “Mão de Deus” e do “Gol do Século” lá, em 1986, contra a Inglaterra.
O Estádio de Toronto não é grande, nem ainda testemunhou momentos decisivos no cenário mundial. Mas o local, situado às margens do Lago Ontário, no centro da cidade, foi construído para o futebol, e seu tamanho reduzido cria uma atmosfera única e intimista.
O capitão da Croácia, Luka Modric, foi ovacionado por uma multidão de torcedores vestidos de vermelho e branco que comemoravam sua 200ª partida pela seleção na semana passada, após a vitória de sua equipe por 1 x 0 sobre o Panamá.
Não era preciso saber a letra da música croata para se emocionar com a paixão e a emoção que ecoavam pelo estádio ao ar livre enquanto Modric e a equipe davam uma volta pelo campo para aplaudir seus torcedores.
A partida de despedida no Estádio de Toronto é um grande evento, com muito em jogo para Cristiano Ronaldo e Modric, os ex-companheiros de equipe do Real Madrid que buscam o final perfeito para suas carreiras na Copa do Mundo. Mas o pequeno estádio à beira do lago está pronto para aproveitar o momento.
(Reportagem de Nicole Fernandes, em Toronto)



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