Por Parisa Hafezi e Alexander Cornwell
DUBAI/TEL AVIV, 10 Mar (Reuters) - A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta terça-feira que não deixará nenhum petróleo sair do Oriente Médio até que os ataques dos EUA e de Israel cessem, levando o presidente dos EUA, Donald Trump, a ameaçar atingir o Irã "vinte vezes mais forte" se o país bloquear as exportações.
Apesar da retórica desafiadora de ambos os lados, os investidores faziam fortes apostas na terça-feira de que Trump encerrará sua guerra em breve, antes que a interrupção sem precedentes que ela causou no fornecimento de energia provoque um colapso econômico global.
Depois que Trump descreveu a guerra na segunda-feira como adiantada, a maior parte de um aumento histórico nos preços do petróleo no dia foi revertida. Os preços das ações asiáticas e europeias apresentaram uma recuperação na terça-feira, após as quedas vertiginosas anteriores.
O Irã se recusou a ceder à exigência de Trump de permitir que os Estados Unidos escolhessem sua nova liderança, nomeando o linha-dura Mojtaba Khamenei como novo líder supremo para substituir seu pai, que foi morto no primeiro dia da guerra.
Mas Trump realizou uma coletiva de imprensa na segunda-feira que pareceu tranquilizar os mercados de que ele pararia sua guerra antes de provocar uma crise econômica como as que se seguiram aos choques do petróleo no Oriente Médio na década de 1970.
Ele disse que os EUA já haviam infligido sérios danos e previu que o conflito terminaria antes das quatro semanas que ele havia estabelecido inicialmente.
Trump não definiu como seria a vitória, mas na segunda-feira não repetiu as declarações de dias anteriores de que o Irã precisa aceitar uma "rendição incondicional" e deixar que ele escolha seu líder.
INTERRUPÇÃO SEM PRECEDENTES
A guerra praticamente paralisou os embarques pelo Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, uma interrupção no comércio global de energia sem precedentes na história recente. Com a persistência do bloqueio, os produtores ficaram sem capacidade de armazenamento no Golfo e foram forçados a interromper a produção.
Depois que o Irã escolheu seu novo líder linha-dura, os preços do petróleo subiram brevemente para quase US$120 por barril na segunda-feira, o que teria sido o maior ganho em um único dia da história. Porém, por volta das 6h30 de terça-feira (horário de Brasília), o petróleo Brent voltou a cair para US$90,67, sugerindo que os operadores agora esperam que a interrupção termine logo.
Trump disse na noite de segunda-feira que o poderio militar dos EUA é suficiente para manter o fluxo de petróleo. Afirmou que se o Irã bloquear o petróleo através do estreito, "nós os atingiremos com tanta força que não será possível para eles ou para qualquer outra pessoa que os ajude a recuperar essa parte do mundo".
Um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã rejeitou os comentários de Trump, dizendo que Teerã não permitiria que "um litro" de petróleo do Oriente Médio chegasse aos EUA ou a seus aliados enquanto os ataques dos EUA e de Israel continuassem.
"Somos nós que determinaremos o fim da guerra", disse o porta-voz.
Em uma postagem posterior no Truth Social, Trump repetiu seu aviso. "Se o Irã fizer qualquer coisa que impeça o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, eles serão atacados pelos Estados Unidos da América VINTE VEZES MAIS DURAMENTE do que foram até agora", declarou.

