Início Mundo Merz diz que dependência entre aliados da Otan e os EUA é via de mão dupla e Trump rebate
Mundo

Merz diz que dependência entre aliados da Otan e os EUA é via de mão dupla e Trump rebate

Estadão

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou na quarta-feira, 1º, que a dependência entre aliados europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os Estados Unidos é uma via de mão dupla, o que desagradou o presidente americano, Donald Trump.

Segundo Trump, os EUA gastaram US$ 999 bilhões com a aliança entre 2014 e 2025, enquanto, no mesmo período, o Reino Unido gastou US$ 90,5 bilhões, a França gastou US$ 66,5 bilhões, a Itália gastou US$ 48,8 bilhões e a Polônia gastou US$ 44,3 bilhões. "Outros países, incluindo a Alemanha, gastam MUITO MENOS. Ridículo", acrescentou Trump.

Em uma entrevista coletiva ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e do ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, em Berlim, Merz defendeu que a aliança precisa "se tornar mais europeia para continuar sendo transatlântica". "Não fizemos o suficiente nos últimos anos, mas agora estamos fazendo mais."

O chanceler disse que a mudança de postura não ocorre "para atingir algum número quase mítico que o presidente dos EUA estabeleceu", mas porque isso seria do interesse da Europa e "a coisa certa a fazer".

Merz afirmou que Washington é um parceiro "em igualdade de condições" entre os 32 integrantes da Otan. "Estamos bastante confiantes de que, na próxima semana, diremos aos EUA que eles dependem de nós, assim como nós dependemos deles. E, juntos, estamos prontos e somos capazes de nos defender", acrescentou.

O desentendimento ocorre a menos de uma semana da cúpula que reunirá os líderes da Otan em Ancara, na Turquia, na próxima terça-feira, 7, e quarta-feira, 8.

Na reunião do ano passado, os integrantes da aliança concordaram em aumentar a meta de gastos com defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país, após pressão de Trump, que exigiu que as nações europeias e o Canadá investissem mais para fortalecer a aliança.

Na quarta-feira, Merz afirmou que a Alemanha aumentará significativamente os gastos com defesa até 2029 e que o país atingirá a meta de 3,5% do PIB três anos antes do prazo estabelecido na última cúpula da Otan. "Faremos isso juntos. Não queremos que ninguém siga sozinho. Queremos cooperação transatlântica e europeia", disse.

O chanceler destacou que, na semana passada, se reuniu com líderes dos países da coalizão informal de defesa E5, formada pelas cinco maiores potências militares da Europa: Alemanha, França, Itália, Polônia e Reino Unido. Ele afirmou ainda que, na sexta-feira, 3, se reunirá com representantes da Estônia, Letônia e Lituânia para "enviar uma mensagem de unidade e força como parceiros europeus antes da cúpula da Otan".

Essa não foi a primeira vez que Merz e Trump divergiram. Em abril, o chanceler afirmou que os EUA não tinham "uma estratégia realmente convincente nas negociações" com o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio. "O problema com conflitos como este é sempre o seguinte: não basta entrar, é preciso também sair", disse.

O presidente não gostou do comentário e reagiu, afirmando que Merz "não sabe do que está falando" e acusando-o de "achar que não há problema em o Irã ter uma arma nuclear". Na mesma semana, Trump voltou a atacar o alemão, dizendo que ele deveria dedicar mais tempo "a consertar os problemas do seu país, especialmente nas áreas da imigração e da energia".

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!