Por Michelle Nichols
NAÇÕES UNIDAS, 25 Set (Reuters) - As Nações Unidas não foram a única atração de Nova York para os líderes mundiais em visita nesta semana -- o prefeito Zohran Mamdani tornou-se um ponto de encontro popular para políticos com ideias afins e um alvo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
O ex-deputado estadual de 34 anos, que assumiu o cargo em 1º de janeiro na cidade de Nova York, andou de metrô com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheal Martin, trocou camisetas de futebol com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e conversou com estudantes, na companhia do primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Store, sobre inteligência artificial.
“Em um ano em que o sentimento predominante em torno da ONU é de desânimo existencial em relação ao estado do mundo, um jovem político animado era exatamente o que todos nós precisávamos”, disse Richard Gowan, diretor de questões globais e instituições do International Crisis Group.
“É claro que um encontro com Mamdani representa um risco político bastante baixo para a maioria dos líderes. Você passa algum tempo no metrô e com crianças em idade escolar. Ninguém vai pedir que você resolva o problema nuclear da Coreia do Norte”, acrescentou.
O prefeito de Nova York também foi o centro das atenções no discurso de Netanyahu na quinta-feira perante a Assembleia Geral da ONU, composta por 193 membros, no qual ele repreendeu Mamdani por tê-lo chamado de criminoso de guerra devido às ações de Israel em Gaza.
Mamdani discutiu o tema “Construindo uma Economia para a Maioria” durante um café da manhã com o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de se reunir com jovens LGBTQ+ na companhia do primeiro-ministro holandês, Rob Jetten.
Costa, ex-prefeito de Lisboa, disse a Mamdani no evento na terça-feira: “Você tem o melhor trabalho que um político pode ter -- sinto falta da capacidade que os prefeitos às vezes têm de identificar um problema pela manhã e resolvê-lo até o fim do dia.”
O presidente austríaco Alexander Van der Bellen e o ministro das Relações Exteriores britânico Ed Miliband também se reuniram com Mamdani.
GUERRA DE PALAVRAS
Embora as reuniões do democrata Mamdani tenham sido, em grande parte, com líderes mundiais de tendências políticas semelhantes, houve uma exceção notável: o presidente republicano dos EUA, Donald Trump.
Enquanto Netanyahu, aliado de Trump, intensificava uma guerra de palavras com o primeiro prefeito muçulmano de Nova York, Trump se reuniu com Mamdani na Gracie Mansion, residência oficial do prefeito.
“Quero que ele seja um ótimo prefeito, e ele certamente tem potencial, tem um grande potencial”, disse Trump em coletiva de imprensa conjunta com Mamdani após o encontro na segunda-feira.
Já o discurso de Netanyahu na quinta-feira foi um contraste gritante.
“Vocês tentaram me impedir de vir aqui. Vocês tentaram. Tentaram me silenciar. Bem, vocês não podem me silenciar. Não podem silenciar a verdade”, disse Netanyahu, o líder mais antigo de Israel, referindo-se a Mamdani.
Mamdani fez campanha com a promessa de mandar prender Netanyahu por supostos crimes de guerra caso ele visitasse a maior cidade dos EUA, mas depois afirmou ter concluído que não possuía autoridade legal para fazê-lo. Nesta semana, Mamdani descreveu Netanyahu como “o arquiteto de um genocídio horrível contra os palestinos”.
Na noite anterior à chegada de Netanyahu, Mamdani postou um vídeo nas redes sociais em que aparecia plantando uma oliveira na Gracie Mansion com famílias palestinas de Gaza, acompanhado da legenda: “Que a paz seja o nosso futuro.”
Em sua primeira visita a Nova York na quinta-feira desde que Mamdani assumiu o cargo, Netanyahu disse à Assembleia Geral: “Israel não cometeu genocídio. Israel impediu o genocídio”.
Em resposta, Mamdani acusou Netanyahu de usar seu discurso na ONU “para repetir mentiras infundadas com o objetivo de minimizar seu genocídio contra os palestinos”, acrescentando: “No entanto, nenhuma mentira pode mudar o fato de que ele continua sendo alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade”.
Israel rejeita as acusações de genocídio e afirma que sua campanha militar tem como alvo o Hamas, e não a população civil de Gaza. Também afirma que toma medidas para minimizar os danos aos civis e alega que os combatentes do Hamas se escondem entre a população civil.
(Reportagem adicional de John Irish)
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