Por Foo Yun Chee
BRUXELAS, 8 Out (Reuters) - A MMG, empresa de mineração e metais listada na bolsa de Hong Kong, acusou nesta quinta-feira as autoridades antitruste da União Europeia de ignorarem as evidências de que sua oferta pela aquisição dos negócios de níquel da Anglo American no Brasil não desviaria o abastecimento da Europa para a China.
As declarações foram feitas após uma audiência de um dia inteiro, na qual a MMG e a Anglo American defenderam o negócio de US$500 milhões perante as autoridades antitruste da UE, incluindo o principal dirigente da área de fusões da Comissão Europeia, Guillaume Loriot.
"A decisão da Comissão de abrir uma investigação aprofundada e as alegações de um plano para desviar o fornecimento de ferroníquel da Europa são fundamentalmente infundadas", disse Troy Hey, gerente geral executivo de relações corporativas da MMG, aos repórteres.
"A Comissão utilizou seletivamente duas citações parciais e enganosas dentre mais de 200 mil documentos fornecidos pela MMG e seu principal acionista -- enquanto ignorou todas as outras evidências, análises econômicas e de mercado que indicam o contrário", afirmou ele.
A Comissão, órgão de fiscalização da concorrência da UE, alertou no mês passado que a MMG poderia redirecionar o fornecimento de ferroníquel para fora da Europa, prejudicando potencialmente os produtores de aço inoxidável do bloco. O caso surge em meio a preocupações mais amplas da UE quanto à dependência da China no que diz respeito a minerais críticos.
Hey também acusou a Comissão de ignorar a evolução do mercado desde o início de uma investigação em grande escala, em novembro, e a análise de mercado independente que havia encomendado.
Ele disse que as corretoras de commodities Glencore e Trafigura haviam escrito à Comissão afirmando estar confiantes de que a MMG continuaria a fornecê-las.
Hey disse que a MMG estava disposta a abordar todas as preocupações da Comissão, sugerindo que a empresa pode estar preparada para oferecer medidas corretivas nas próximas semanas.
Esperava-se que o diretor de operações da Anglo American Brasil, Ruben Fernandes, e a diretora financeira, Cristina Morgan, dissessem aos reguladores na audiência que o bloqueio do negócio provavelmente forçaria o fechamento da mina, de acordo com o texto preparado para a ocasião, visto pela Reuters na quarta-feira.
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