SÃO PAULO, 6 Ago (Reuters) - A montadora chinesa Jetour avalia opções para ter uma linha de produção no Brasil, incluindo a possibilidade de seguir o exemplo de outras marcas do país asiático que passaram a dividir espaço ocioso de instalações de grupos já estabelecidos no país, afirmou o diretor de marketing para o Brasil, Henrique Sampaio, em entrevista à Reuters.
"É uma estratégia inteligente, boa para ambos os lados, principalmente se não forem competidores no mesmo segmento", disse o executivo ao ser questionado sobre o movimento de rivais chinesas da Jetour que estão chegando ao Brasil por meio de acordos de produção em fábricas de outras montadoras já estabelecidas no país.
Parte do grupo automotivo chinês Chery, que tem parceria com a brasileira Caoa no Brasil, a Jetour começou a vender veículos no país em março deste ano e já conta com cerca de 60 concessionários e planos de chegar a 100 até o final de 2026.
"Sim, é uma possibilidade fazer associação com outra marca para a produção" no Brasil, disse Sampaio, lembrando que na África do Sul, um importante mercado de exportação para a marca Jetour tem parceria com a japonesa Nissan.
Questionado se a Jetour está negociando com a prefeitura de Jacareí (SP) para ocupar uma fábrica de veículos ociosa da Caoa Chery, parada desde 2022, Sampaio não se manifestou.
A Jetour está programando investimento de R$400 milhões no Brasil até o final de 2027, cifra que não inclui produção local, disse Sampaio.
O executivo afirmou que assim como suas rivais chinesas, a Jetour "está com o pé no acelerador quase furando o chão" para se estabelecer no Brasil e se fixar na cabeça dos consumidores, que cada vez mais encontram opções de carros elétricos chineses, em sua maioria importados, recheados de recursos e preços atraentes.
No Brasil, além das marcas presentes há décadas no país, a Jetour disputa mercado com os grupos automotivos chineses BYD e GWM, que montaram fábricas próprias que antes eram ocupadas por outras montadoras; Geely, que comprou 30% de participação na operação brasileira da Renault; Chery (parceira da Caoa), GAC, Leapmotor, que tem parceria com a Stellantis no Nordeste; e Changan, outra parceria da Caoa.
"Há 146 marcas de carros na China...A competição é muito acirrada lá e isso traz margens muito complexas....Eles sabem que para ser mais competitivo têm que sair do país", disse Sampaio.
"Quem já chegou no Brasil sabe que está correndo contra o relógio...Se você não consegue se consolidar agora, daqui três meses vai estar brigando com oito (marcas) e depois de seis meses com 15", afirmou o executivo explicando a importância da Jetour acelerar suas operações no país.
"O mais importante é consolidar a marca. A marca que conseguir chegar mais rápido e fizer seu nome mais depressa, essa marca vai ficar na cabeça do consumidor mais tempo", acrescentou.
Segundo dados da Jetour, o Brasil é atualmente o sexto maior mercado de veículos do mundo, embora suas vendas ainda estejam longe do recorde de 3,8 milhões de unidades emplacadas em 2012. A previsão do mercado para este ano é de pouco abaixo de 3 milhões de unidades.
Mas a maior parte das novas marcas chinesas que estão operando hoje no Brasil têm menos de cinco anos de operações no país e já disputam o topo da tabela com marcas estabelecidas como Fiat, GM, Volkswagen e Toyota.
"O Brasil é mercado que estabelece tendência na América Latina...É muito difícil que uma marca não consiga emplacar nos outros países quando dá certo no Brasil", disse Sampaio.
Por enquanto, a Jetour conta com vendas de 4 mil veículos no Brasil, em sua maioria grandes utilitários de motorização híbrida. A marca pretende lançar seis modelos no Brasil este ano, dos quais quatro já foram apresentados.
O quinto carro da Jetour será apresentado no Brasil ainda neste mês, disse Sampaio, o utilitário híbrido plug-in de grande porte G700, algumas semanas depois da apresentação ao mercado nacional do jipão T2 na versão 4x4.
A ideia da marca é ter pelo menos um carro inédito no Brasil por ano nos próximos cinco anos, disse Sampaio.
(Por Alberto Alerigi Jr.;Edição Michael Susin)




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