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MRV&Co reverte prejuízo e tem lucro de R$116,6 no 4º tri

Por Igor Sodre

SÃO PAULO, 9 Mar (Reuters) - A MRV&Co teve lucro líquido ajustado de R$116,6 milhões no quarto trimestre, revertendo o prejuízo de R$153,7 milhões no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela companhia nesta segunda-feira.

O resultado positivo foi impulsionado pelos números da MRV Incorporação, que viu seu lucro disparar para R$268 milhões no quarto trimestre, alta de 242,9% na base anual, além do crescimento da receita operacional líquida, que expandiu 26,7% no período, para R$2,79 bilhões. A margem bruta no período, que alcançou 31%, foi a melhor registrada pela empresa nos últimos 26 trimestres.

No consolidado, a MRV&Co teve receita líquida de R$3,04 bilhões no quarto trimestre, ante estimativa média de analistas de R$2,85 bilhões, segundo dados da LSEG.

"Tivemos ainda uma diluição de despesas comerciais e administrativas, fazendo com que o lucro tivesse uma melhora significativa", disse o diretor financeiro da MRV&Co, Ricardo Paixão, em entrevista à Reuters.

A companhia já enxerga uma continuidade da tendência positiva no primeiro trimestre deste ano.

"Estamos vendo um começo de ano melhor que o do ano passado. Olhando as métricas de operação por dia útil, a gente vê uma melhora substancial em relação a 2025", disse Paixão, citando como um dos motivos o programa Minha Casa, Minha Vida.

"No Brasil temos um déficit habitacional enorme e um programa habitacional que funciona super bem, o Minha Casa, Minha Vida. Ele tem sido ajustado e aprimorado com uma periodicidade grande. Então a gente enxerga que as condições do programa no começo de 2026 estão melhores do que no ano passado".

MINHA CASA, MINHA VIDA

Falando sobre o programa habitacional, a MRV vê como positiva a proposta do governo federal de elevação nas faixas de renda para enquadramento no programa, que poderão chegar a até R$13 mil. A decisão será tomada pelo Conselho Curador do FGTS em reunião no dia 24 de março.

"Estamos confiantes com a aprovação. Faz todo sentido aprovar. É uma correção da inflação acumulada ao longo dos últimos períodos. O grande ganho é para o cliente porque a capacidade dele muda muito. O mesmo cliente com a mesma renda vai conseguir comprar um apartamento com preço mais alto", disse Paixão.

A proposta prevê uma elevação da faixa 1 dos atuais R$2.850 para R$3.200. No caso da faixa 2, a faixa subiria de R$4.700 para R$5 mil, e a faixa 3 passaria de R$8.600 para R$9.600. A quarta e última faixa de renda do MCMV passaria dos atuais R$12 mil para R$13 mil.

ISENÇÃO DO IR E REFORMA TRIBUTÁRIA

Em janeiro, passou a vigorar a nova regra do Imposto de Renda da pessoa física, que amplia a faixa de isenção para quem recebe até R$5 mil mensais, além de cobrar menos para pessoas com salários de até R$7 mil.

Os efeitos da isenção já são observados pela companhia, mas de forma tímida, disse o executivo.

"A gente se apropriou pouco disso até agora. Mas um pouco dessa disponibilidade líquida maior já se converteu especificamente em aumento da capacidade de crédito concedido pela Caixa no momento da compra do imóvel. É uma mudança bem relevante, que acreditamos que vá melhorar ainda mais a capacidade de compra do cliente daqui pra frente”, declarou o diretor financeiro.

Enquanto isso, os impactos da reforma tributária também já são avaliados pela empresa. "No nosso segmento fica um pouco mais complicado do que era antes porque tem todo um arcabouço que a gente não tinha antes, mas a gente enxerga que, no final das contas, o efeito líquido vai ser muito parecido", disse Paixão.

JUROS

A guerra no Oriente Médio vem levantando temores no mercado em relação à trajetória dos juros. Contudo, a construtora não vê mudanças em suas projeções em um possível cenário de taxas mais elevadas por mais tempo.

"Independente de 15% ou 12%, a Selic continuará alta. Nossa prioridade é melhorar a lucratividade e gerar caixa para ter menos dívida. Nosso caminho não muda com uma taxa um pouco mais alta ou um pouco mais baixa. Nossa prioridade continua sendo a geração de caixa", disse Paixão.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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