Início Mundo Mudança de embaixada prometida por Trump alerta Israel e mundo árabe
Mundo

Mudança de embaixada prometida por Trump alerta Israel e mundo árabe

RIO — Um dos primeiros líderes mundiais a parabenizar Donald Trump por sua vitória eleitoral, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu prepara-se para ter uma dor de cabeça com o republicano. O novo presidente pode anunciar na próxima quinta-feira se os Estados Unidos vão transferir sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, cumprindo uma promessa de campanha. A mudança romperia uma política história de Washington e da comunidade internacional e já provoca a ira de países árabes. O premier reuniu-se nas últimas semanas com serviços de inteligência e segurança para analisar possíveis manifestações de palestinos.

Ao reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, Trump deve desequilibrar as frágeis relações diplomáticas entre os países do Oriente Médio. Israel proclama Jerusalém como sua capital indivisível, incluindo a parte Leste, majoritariamente ocupada por palestinos desde 1967. Os palestinos tentam fazer da cidade a capital de sua almejada nação.

— Fiquem atentos — disse o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, a repórteres, na véspera da posse de Trump. — Haverá um anúncio sobre isso.

Segundo o jornal israelense “Haaretz”, membros do primeiro escalão do governo israelense conversaram por telefone diversas vezes com Trump nas últimas semanas, mas não receberam respostas claras sobre a transferência da embaixada.

Em entrevista ao jornal israelense “Sheldon Adelson”, Trump afirmou que não “esqueceu” de sua promessa de campanha sobre a mudança da embaixada:

— E você sabe que eu não sou uma pessoa que quebra promessas — disse.

Ministros que participaram recentemente de reuniões sobre o tema ainda não têm informações concretas sobre ataques e distúrbios que poderiam ser promovidos por palestinos. Uma hipótese aventada é que a reação palestina ocorra apenas na mídia e entre autoridades. No entanto, ainda não foram descartados eventuais episódios de violência em Jerusalém Ocidental e na Cisjordânia, já que a mudança de embaixada poderia ser vista como uma afronta religiosa.

Cerca de duas semanas atrás, os palestinos lançaram uma campanha diplomática e na mídia contra a mudança de embaixada. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, referiu-se ao assunto várias vezes, dizendo que os palestinos não reagiriam violentamente a essa medida, mas usariam canais diplomáticos e legais. Abbas também enviou uma carta a Trump pedindo-lhe para não deslocar a embaixada, ressaltando que a mudança para Jerusalém teria um efeito devastador sobre o processo de paz.

Os países árabes também estão trabalhando contra mudanças na embaixada. Embaixadores árabes em Washington reuniram-se com os conselheiros de Trump e os advertiram das consequências.

O ministro jordano dos Meios de Comunicação, Mohammed al-Momani, disse que mudar a embaixada para Jerusalém atravessaria uma linha vermelha e teria “consequências catastróficas”.

Nas últimas duas semanas, o então secretário de Estado americano John Kerry afirmou que o novo endereço da embaixada levaria a uma “explosão absoluta” em Israel, Cisjordânia e Oriente Médio, além de ter um impacto negativo nas relações entre Israel, Egito e Jordânia.

— Haveria uma explosão absoluta na região, não apenas na Cisjordânia e mesmo em Israel, mas em toda a região — alertou, em entrevista à rede CBS. — O mundo árabe tem um interesse enorme no Haram al-Sharif, também conhecido como Monte do Templo, na Cúpula da Rocha, é um local sagrado para o mundo árabe. Se Jerusalém for declarada a localização de nossa embaixada, há questões de soberania e direito afetadas, e isso teria um profundo impacto na solidariedade e compromisso que a Jordânia e o Egito têm com Israel.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?