SÃO PAULO, 17 Mar (Reuters) - A New Fortress Energy (NFE) anunciou nesta terça-feira a separação de seus negócios no Brasil, formando plataforma independente com foco em gás natural liquefeito e energia elétrica, como parte de uma ampla reestruturação acordada com credores.
A nova estrutura no Brasil, chamada de "BrazilCo", será controlada por um consórcio de investidores institucionais globais, que, segundo a NFE, têm "profunda experiência em desenvolvimento de infraestrutura e criação de valor a longo prazo, vasta experiência em investimentos em diversas classes de ativos brasileiros e mais de US$20 trilhões em ativos sob gestão".
Já a "New NFE" será uma empresa de capital aberto que reunirá o restante dos ativos globais do grupo.
A reestruturação foi acordada pela NFE com credores sob um plano de reestruturação consensual, visando um corte de sua dívida de US$5,7 bilhões para US$527,5 milhões, e que deverá ser lançado em abril.
Após a separação, a BrazilCo operará como uma plataforma independente de infraestrutura energética, focada na importação de gás natural liquefeito (GNL), regaseificação e geração de energia elétrica.
Segundo a NFE, a nova liderança no Brasil buscará concluir projetos em andamento e avançar com novas frentes de crescimento, como oportunidades para o Terminal de Gás Sul (TGS), em Santa Catarina, "incluindo participação no leilão de capacidade" que será realizado pelo governo brasileiro nesta semana.
"Este ativo crucial (o TGS) oferece oportunidade de impulsionar ainda mais o desenvolvimento econômico, indo além das oportunidades existentes por meio dos leilões de capacidade, à medida que a BrazilCo continua buscando oportunidades de fornecimento junto a parceiros industriais, em linha com a estratégia bem-sucedida da empresa em Barcarena", disse a NFE, em comunicado.
O Brasil realiza na quarta-feira um grande leilão para contratar mais capacidade no setor elétrico em novas usinas termelétricas e hidrelétricas existentes, garantindo segurança do fornecimento de energia nos próximos anos. O certame tem no GNL um importante produto energético para garantir uma operação mais flexível e menos poluente do sistema elétrico.
Segundo a NFE, a BrazilCo atuará também para finalizar o desenvolvimento das usinas termelétricas Celba 2, de 624 MW de capacidade, e PortoCem, de 1.600 MW.
A transação deverá ser concluída em meados de 2026, sujeita às condições habituais e às aprovações regulamentares, acrescentou a empresa.
(Por Letícia Fucuchima)

