Por Andrew Hay
5 Ago (Reuters) - O Novo México entrou com uma ação contra o Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta quarta-feira para obter acesso a arquivos não censurados sobre Jeffrey Epstein, acusando a agência federal de obstruir a investigação do Estado sobre o falecido criminoso sexual ao se recusar a fornecer os documentos.
A ação judicial intensifica uma disputa com forte conotação política em torno dos arquivos da agência norte-americana sobre Epstein, uma questão que tem atormentado o governo Trump.
Governado pelos democratas, o Estado reabriu sua investigação sobre Epstein em fevereiro e solicitou os arquivos não editados do Departamento de Justiça dos EUA para identificar visitantes e funcionários do Zorro Ranch, propriedade de Epstein próxima a Stanley, no Novo México, que supostamente participaram dos crimes ou foram testemunhas deles.
O Departamento de Justiça dos EUA afirmou ter fornecido alguns arquivos, mas foi impedido de disponibilizar outros materiais devido a proteções de privacidade.
“A inércia federal não apenas atrasa a investigação; ela prolonga e agrava o sofrimento das sobreviventes”, argumentou a ação judicial do Novo México, solicitando que o Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia obrigue o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, a divulgar os arquivos solicitados.
Em resposta à ação judicial, o Departamento de Justiça dos EUA afirmou que, nos termos da Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein e de ordens judiciais de proteção, não era obrigado nem autorizado a divulgar informações que identificassem as vítimas.
“O Novo México não apresentou nenhuma base legal para justificar tais divulgações abrangentes”, afirmou um porta-voz em comunicado.
Após mais de cinco meses de investigação estadual, o procurador-geral do Novo México, Raul Torrez, ainda não anunciou nenhum resultado.
Em uma conversa com jornalistas, Torrez disse que o estado dedica uma quantidade “substancial” de recursos à investigação, mas se recusou a fornecer mais informações.
“Ainda não apresentamos acusação contra ninguém porque precisamos examinar esses arquivos antes de fazê-lo”, disse Torrez.
Também nesta quarta-feira, parlamentares do Novo México divulgaram um relatório provisório sobre a chamada investigação da “Comissão da Verdade”, uma apuração independente sobre Epstein.
As evidências até o momento mostram que Epstein abusou de pelo menos cinco mulheres e meninas no Rancho Zorro entre 1996 e 2012, segundo o relatório. A comissão identificou pelo menos 30 outras pessoas que possivelmente foram vítimas de abuso no Novo México. Algumas podem ser testemunhas dos abusos, outras podem ter facilitado os abusos, e algumas podem ter participado nas duas condições, afirmou o relatório.
As autoridades do Novo México alegam que o Departamento de Justiça dos EUA descumpriu um acordo de 2019, segundo o qual o Estado concordou em suspender sua investigação sobre Epstein e entregar as provas à agência federal em troca da continuidade do compartilhamento de informações sobre supostas vítimas e crimes.
Torrez afirmou que a investigação estadual enfrenta obstáculos consideráveis, incluindo as décadas que se passaram desde os supostos crimes de Epstein, o desaparecimento de provas após a venda do rancho em 2023 e possíveis questões jurisdicionais relacionadas a eventuais processos judiciais.
(Reportagem de Andrew Hay, no Novo México)




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