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Novo presidente-executivo da Berkshire assegura a acionistas um mundo "pós-Buffett"

Reuters

Por Jonathan Stempel e Suzanne McGee e Tatiana Bautzer

OMAHA, NEBRASKA/NOVA YORK, 2 Mai (Reuters) - O presidente-executivo da Berkshire Hathaway, Greg Abel, procurou garantir aos acionistas do conglomerado que investirá com sabedoria e administrará sua enorme reserva de caixa sem o peso da burocracia, enquanto busca conquistar aqueles que, cautelosamente, esperam que ele seja um sucessor digno do bilionário Warren Buffett.

Abel, de 63 anos, discursou na reunião anual da Berkshire em Omaha, Nebraska, quatro meses depois de suceder o investidor provavelmente mais famoso do mundo como presidente-executivo.

Ele precisa conquistar a confiança dos investidores -- agora apaixonados por tecnologia e inteligência artificial, em vez do portfólio da Berkshire de seguradoras, varejistas e empresas com ativos nos setores de energia, indústria e manufatura.

"Como conglomerado, vivemos pelo fato de odiarmos a burocracia", disse Abel em resposta a uma pergunta pré-gravada de Buffett, que também estava sentado na primeira fila. "Não pretendemos ficar em dívida com ninguém. Começamos com isso."

Abel também garantiu aos acionistas que não desmembraria a Berkshire, dizendo que ela operava de forma eficaz e que seu banco de especialistas era forte. "Queremos que a Berkshire perdure", disse.

O executivo afirmou ainda que está constantemente avaliando oportunidades para aumentar o portfólio da Berkshire, seja adquirindo empresas públicas ou privadas ou a parcela de uma companhia.

O comparecimento ao evento deste ano foi significativamente menor do que na época em que Buffett e o vice-presidente Charlie Munger, falecido em 2023, presidiam as reuniões repletas de brincadeiras sobre a Berkshire, a economia, os mercados e a vida.

Buffett e Munger atraíam no passado multidões à arena do centro da cidade, mas este ano vários milhares dos cerca de 18 mil assentos estavam vazios quando Abel subiu ao palco.

Ele reconheceu a vida e a carreira de seus antecessores ao aposentar simbolicamente as camisetas com seus nomes, que ficarão penduradas nas traves da arena.

APOIO DE BUFFETT

Buffett, por sua vez, garantiu ao público que "Greg está fazendo tudo o que eu fiz e mais um pouco", repetindo os comentários que fez no ano passado, quando anunciou sua aposentadoria como presidente-executivo.

Aos 95 anos, Buffett também elogiou a Apple, um dos investimentos mais bem-sucedidos da Berkshire, e seu presidente-executivo, Tim Cook, que está deixando o cargo. Buffett continua sendo o presidente da Berkshire.

Em uma entrevista concedida à CNBC nos bastidores da reunião, Buffett demonstrou preocupação com a mentalidade de jogo que tomou conta de alguns investidores.

"Nunca tivemos tantas pessoas em um estado de espírito de jogo como agora", disse ele. "Isso não significa que investir seja terrível, mas significa que os preços de muitas coisas parecerão terrivelmente tolos."

Embora a Berkshire seja frequentemente considerada um microcosmo da economia dos EUA, suas ações ficaram 39 pontos percentuais abaixo do índice S&P 500 desde que Buffett anunciou, na reunião do ano passado, que deixaria o cargo.

O pensamento de curto prazo é um problema para a Berkshire, um gigante de US$1,02 trilhão que compra e mantém ações, mas Abel disse que a companhia tem uma "oportunidade única" de desenvolver seus negócios e redistribuir o capital.

"Podemos criar valor de longo prazo para os acionistas", afirmou.

LUCRO OPERACIONAL AUMENTA

Antes da reunião, a Berkshire informou que seu lucro operacional no primeiro trimestre do ano totalizou US$11,35 bilhões, um aumento de 18% em relação ao ano anterior, quando seus negócios de seguros sofreram perdas com os incêndios florestais no sul da Califórnia.

Várias empresas de varejo enfrentaram dificuldades com as condições econômicas incertas e a baixa confiança dos consumidores. Algumas grandes operações, incluindo a ferrovia BNSF, registraram lucros maiores.

A defasagem do preço das ações da Berkshire reflete, em parte, as decisões de Abel e Buffett de não aplicar apressadamente mais de seu caixa, que atingiu um recorde de US$380,2 bilhões no final de março. A Berkshire viu algum valor em suas próprias ações, recomprando US$234 milhões no primeiro trimestre, nas primeiras recompras desde maio de 2024.

"Greg tem um desafio formidável, substituindo o maior investidor que já existiu", disse Paul Lountzis, um gestor financeiro que participou da 34ª reunião anual da Berkshire.

QUANDO DIZER "NÃO"

Abel aderiu ao mantra da paciência de Buffett, dizendo que gostaria de manter os investimentos "para sempre" e não investir em nenhuma empresa sem entender suas perspectivas econômicas e riscos.

"Isso não significa que você precise aplicar todo o seu capital e gastar todo o seu dinheiro", disse.

Ele concordou com o chefe de seguros da Berkshire, Ajit Jain, que também respondeu a perguntas no palco, que era importante dizer "não" se um investimento não parecesse adequado.

"É muito difícil ficar sentado e não fazer nada", disse Jain, "enquanto todos os outros estão sendo recebidos por corretores e levados para Londres."

Abel também elogiou uma recente decisão do tribunal de recursos do Oregon que, por enquanto, poupou a unidade PacifiCorp da Berkshire de bilhões de dólares de possíveis responsabilidades por incêndios florestais em 2020.

Já as tarifas continuam sendo um problema, com Abel dizendo que as empresas operacionais da Berkshire têm "muito a resolver" na cobrança de reembolsos. Katie Farmer, presidente-executiva da ferrovia BNSF, de propriedade da Berkshire, disse que os clientes ainda enfrentam incertezas, mesmo depois de terem se "adaptado e ajustado" ao aumento de tarifas.

(Reportagem de Jonathan Stempel em Omaha, Nebraska; reportagem adicional de Suzanne McGee e Tatiana Bautzer)

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