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ONG denuncia aumento de detenções políticas na Venezuela

CARACAS — O número de detenções por motivos políticos na Venezuela aumentou consideravelmente no primeiro trimestre de 2017, e a perseguição a opositores se intensificou, denunciou a ONG Foro Penal nesta sexta-feira. Entre fevereiro e março, 15 pessoas foram detidas — no mesmo período do ano passado, foram registradas três detenções políticas. Dos 116 atualmente presos, 11 são mulheres.

O diretor da ONG Alfredo Romero desmentiu que tenha havido libertações em massa como fruto do diálogo entre a oposição e o governo de Nicolás Maduro, interrompido no ano passado. Enquanto em 2016 apenas três presos políticos foram soltos, em 2017 foram registradas quatro libertações.

— Encontramos uma lista de 73 supostamente libertados pelo diálogo. No entanto, surge a pergunta se eles foram soltos ou privados de liberdade devido a esse processo — questionou Romero.

Entre os casos mais recentes está o do vereador de Maracaibo Jorge Luis González, que passou 53 dias detido sem ordem judicial.

— Eu sempre fui inocente e nunca houve reais motivos para uma acusação tão injusta — afirmou.

Gonzalo Himiob, também diretor da Foro Penal, detalhou que há 116 “presos de consciência” na Venezuela. Geralmente associado à organização de direitos humanos Anistia Internacional, o termo se refere a pessoas detidas por causa de sua raça, religião ou opiniões políticas e também pela expressão não-violenta de suas crenças.

A ONG denunciou ainda as condições desumanas a que foram submetidos alguns presos políticos. Segundo a organização, alguns problemas de saúde dos detentos se transformaram em doenças crônicas.

Preso desde 8 de março de 2014, Carlos Pérez tem graves problemas de tensão e poderia sofrer um ataque cardíaco, segundo Romero. O diretor disse que os prazos para a prisão preventiva previstos no Código Penal venceram e defendeu a libertação imediata de Pérez.

No fim do ano passado, a oposição venezuelana decidiu suspender os diálogos para tentar resolver a grave crise política que assola o país, alegando que o governo Maduro não cumpriu todas as suas promessas durante a negociação.

*O jornal venezuelano El Nacional pertence ao Grupo de Diários América (GDA)

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