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Ortega quer estender mandato presidencial na Nicarágua de seis para sete anos “renováveis”

Reuters
Ortega quer estender mandato presidencial na Nicarágua de seis para sete anos “renováveis”
Ortega quer estender mandato presidencial na Nicarágua de seis para sete anos “renováveis”

CIDADE DO MÉXICO, 29 de julho (Reuters) - O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, pretende estender o mandato presidencial de seis para sete anos “renováveis”, de acordo com um projeto de reforma constitucional encaminhado ao Congresso, e excluir das eleições os opositores “traidores da pátria” e “golpistas”.

O presidente do Congresso, Gustavo Porras, antecipou na terça-feira — segundo vários veículos de comunicação — o conteúdo da reforma, embora não tenha dado muitos detalhes. A proposta seria aprovada em setembro e vem na esteira de declarações recentes do presidente de que não haveria eleições no país centro-americano para evitar que os opositores “tomem o governo” novamente, reforçando ainda mais seus planos de consolidar o poder que divide com sua esposa, um ano antes do término do atual mandato.

“Nosso sistema de Estado e governo do povo presidente propõe-se a ser organizado com um mandato efetivo de sete anos, renovável”, disse Porras ao ler a proposta. Ele acrescentou que a extensão “garante estabilidade na visão, na operacionalidade e na continuidade, enfrentando com toda a energia e clareza as urgências”.

Em 2024, foi aprovada uma reforma que estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos e elevou Rosario Murillo, esposa de Ortega e então vice-presidente do país, ao cargo de copresidente, em uma medida criticada pelos opositores como um plano para perpetuar a família presidencial no poder. Além disso, adiou para o final de 2027 as eleições que deveriam ocorrer este ano.

O presidente, um ex-rebelde marxista, assumiu em janeiro de 2022 seu quarto mandato consecutivo, após vencer as eleições de novembro do ano anterior, em meio a críticas crescentes e sanções de grande parte da comunidade internacional, com os Estados Unidos e a União Europeia à frente. Ele ajudou a derrubar a ditadura de direita da família Somoza no final da década de 1970 e é o líder que há mais tempo ocupa o cargo na América, desde 2007, quando voltou ao poder após um período na década de 1980.

Enquanto isso, a Nicarágua atravessa uma grave crise política desde abril de 2018, quando o presidente respondeu aos protestos antigovernamentais com uma repressão na qual morreram mais de 300 pessoas, segundo organizações de direitos humanos.

(Reportagem de Ana Isabel Martínez)

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