A parlamentar australiana Helen Haines, de 65 anos, teve a segunda perna amputada nesta quarta-feira, 21, após ser atropelada por um carro em um possível episódio de violência política. A deputada independente permanece em estado crítico em um hospital de Melbourne, para onde foi levada de helicóptero após o ataque na segunda-feira, 19.
Segundo Phil Haines, marido da parlamentar, a perna esquerda foi amputada na segunda-feira, enquanto a direita foi retirada nesta quarta, depois que os médicos perderam a esperança de salvá-la.
"A boa notícia em tudo isso é que Helen está viva e estável. Isso é o mais importante para nossa família", afirmou Phil a jornalistas em Melbourne. Ele também disse que, até o momento, tanto o coração quanto as funções cerebrais da mulher estão em boas condições.
Haines foi atropelada em sua cidade natal, Wangaratta, no estado de Victoria. Segundo testemunhas, o motorista de um Toyota Land Cruiser atingiu a parlamentar e a prensou contra o próprio veículo antes de dar ré e atropelá-la novamente.
Brendan Nugent, de 43 anos, compareceu pela primeira vez ao Tribunal de Magistrados de Wangaratta nesta quarta-feira. Ele responde por lesão grave intencional, direção perigosa que causou lesões graves e danos a uma funcionária federal.
O suspeito não pediu liberdade sob fiança nem se declarou culpado. Ele permanecerá sob custódia até a próxima audiência, prevista para fevereiro. A polícia ainda não determinou a motivação do ataque.
Durante a audiência, o advogado de Nugent, Chirag Patel, afirmou que o cliente apresentava possíveis problemas de saúde mental, mas nunca havia recebido um diagnóstico de transtorno mental. Segundo a defesa, ele também sofre de mielite transversa idiopática, uma condição neurológica rara que afeta a medula espinhal, e teve uma concussão. O advogado não explicou como ocorreu a concussão.
O caso provocou comoção na Austrália, onde episódios de violência política são incomuns e parlamentares costumam manter contato direto com a população sem a presença constante de seguranças.
Nesta quarta-feira, o deputado da oposição James Paterson pediu uma revisão das medidas de proteção oferecidas aos parlamentares. Ele afirmou que a acessibilidade dos representantes eleitos é positiva, mas alertou que ataques desse tipo podem alterar a relação entre políticos e cidadãos.
O primeiro-ministro Anthony Albanese, por sua vez, defendeu a manutenção do diálogo entre parlamentares e a população. Segundo ele, é necessário reforçar a segurança sem comprometer a interação pública, considerada importante para a democracia australiana.
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