Por Philip Blenkinsop
BRUXELAS, 20 Out (Reuters) - Parlamentares da União Europeia concordaram em flexibilizar metas propostas pelo bloco para as emissões de poluentes de veículos em 2035, permitindo que as montadoras compensem parte da diferença prevista com o uso de aço de baixo carbono produzido na UE, de acordo com o texto do acordo ao qual a Reuters teve acesso.
A Comissão Europeia propôs no ano passado que as montadoras reduzissem até 2035 as emissões de CO₂ em 90% em relação aos níveis de 2021, uma redução em relação à meta anterior de 100%. O executivo da UE afirmou que os 10% restantes poderiam ser compensados por meio do uso de aço de baixo carbono e combustíveis alternativos.
O acordo entre os três principais grupos partidários do Parlamento Europeu estabelece, em vez disso, uma meta de redução de 87,5% para automóveis, com um complemento de 7,5% proveniente da produção com uso de aço de baixo carbono fabricado na União Europeia.
O acordo ainda precisa ser aprovado pelos grupos — o Partido Popular Europeu (centro-direita), os Social-Democratas (centro-esquerda) e o Renew (mais centrista) — para definir a posição do Parlamento Europeu.
AMBIÇÃO ENFRAQUECEU
O Parlamento e os governos da UE teriam então que chegar a um acordo sobre um texto comum relativo às metas de emissões para as frotas de veículos novos para 2030 e 2035.
Os países da UE há muito defendem esforços para redução das emissões de carbono na tentativa de conter o aquecimento global, mas considerações econômicas levaram, nos últimos anos, a uma redução dessa ambição.
França e Alemanha, que possuem indústrias automotivas muito significativas, concordaram na semana passada com cortes nas metas de emissões de CO₂ para carros em 2035 para 90%, sem a necessidade de medidas compensatórias.
De acordo com o texto do acordo firmado na madrugada desta terça-feira, os grupos parlamentares concordaram que as montadoras devem reduzir as emissões médias das novas vans em 80% até 2035.
Para 2030, as metas propostas de redução de CO₂ seriam de 55% para carros, conforme proposto pela Comissão no ano passado, e de 35% para vans, abaixo dos 40% propostos pela Comissão.
As montadoras poderiam cumprir as metas de 2030 com base na média dos anos de 2029 a 2031.
Carros movidos a combustíveis renováveis também poderiam ser reconhecidos como veículos de emissão zero. Carros elétricos pequenos e acessíveis, bem como veículos elétricos particularmente eficientes, poderiam render supercréditos aos fabricantes, ajudando-os a cumprir as metas de emissões.
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