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Pesquisas de intenção de voto indicam queda de Theresa May após atentado

LONDRES — A primeira-ministra britânica, Theresa May, viu sua margem de vantagem sobre o Partido Trabahista encolher nas pesquisas de intenção de votos divulgadas neste sábado, as primeiras após o atentado em Manchester. Os quatro institutos mostraram redução entre dois e seis pontos percentuais, indicando que a eleição do dia 8 de junho pode ser mais apertada do que se imaginava.

— Theresa May é certamente a grande favorita para vencer, mas agora estamos num território em que quão bem será a vitória ainda é incerto — disse John Curtice, na Universidade de Strathclyde, à Reuters. — Ela não tem mais garantia de obter a maioria devastadora que originalmente ela pretendia alcançar.

A premiê convocou eleições antecipadas numa aposta para fortalecer sua posição à frente das negociações sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, ganhar mais tempo para lidar com os impactos do Brexit e fortalecer seu controle sobre o Partido Conservador. Mas ela precisa superar a maioria de 12 assentos alcançada pelo seu antecessor, David Cameron, para alcançar esses objetivos.

O instituto Opinium mostrou que margem de vantagem da conservadora caiu para dez pontos percentuais, de 13 pontos na semana anterior e 19 pontos no dia 19 de abril. A ComRes indicou queda de seis pontos percentuais, de 18 para 12, em relação à última pesquisa, divulgada no último dia 13. A Orb colocou a vantagem de May em apenas seis pontos percentuais e a YouGov mostrou a margem caindo de nove pontos percentuais para apenas sete.

O ICM, em pesquisa encomendada pelo jornal “Sun”, mostrou que May continua com vantagem de 14 pontos percentuais, sendo o único instituto a não captar queda da premiê. As pesquisas ilustram um cenário político complicado, com as intenções de voto sendo influenciadas tanto pelo ataque terrorista em Manchester e as propostas impopulares de May para a assistência social.

Quando May surpreendeu políticos e mercados financeiros ao anunciar a antecipação das eleições, no dia 18 de abril, pesquisas de intenção de votos sugeriram que ela poderia repetir a maioria alcançada por Margaret Thatcher, em 1983, com 144 assentos, ou até mesmo atingir a maioria obtida pelo trabalhista Tony Blair em 1997, com 179 cadeiras.

Mas ao longo do mês, a premiê viu sua vantagem nas pesquisas derreter. As primeiras quedas surgiram após ela apresentar plano dos idosos uma parcela maior dos seus gastos com saúde, proposta apelidada pela oposição como “imposto da demência”. Com a repercussão, May foi obrigada a voltar atrás.

As pesquisas de intenção de voto são instrumento reconhecido na previsão de resultados eleitorais, mas nem sempre são precisos. Na eleição americana do ano passado, por exemplo, os institutos previam a vitória da democrata Hillary Clinton, o mesmo aconteceu no referendo do Brexit. Mas uma coisa é certa: os novos resultados mostram evidências de que May perdeu apoio com o atentado.

— A campanha mudou — disse Johnny Heald, diretor da ORB International. — A expectativa é ver o foco no Brexit e na segurança nas próximas duas semanas.

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