RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 9 Out (Reuters) - O plantio da safra de soja 2026/27 do Brasil atingiu 19,77% da área total estimada, marcando o ritmo mais acelerado de semeadura já observado no país, com chuvas favorecendo as atividades nos campos, de acordo com dados da consultoria Pátria AgroNegócios divulgados nesta sexta-feira.
Na mesma época do ano passado, os trabalhos cobriam 12,86% da área, enquanto a média dos últimos cinco anos para o período é de 11,55%.
"Estamos vivenciando o mais acelerado ritmo de plantio da safra de verão brasileira", afirmou a consultoria em relatório.
Segundo a Pátria, o avanço tem sido favorecido pela chegada precoce e pelos volumes satisfatórios de chuvas nas principais regiões produtoras.
A aceleração dos trabalhos com a soja é importante para as culturas de segunda safra se desenvolverem dentro da melhor janela climática.
Além disso, pode permitir que colheita da soja seja antecipada, se as condições climáticas continuarem favoráveis, de forma geral, no maior produtor e exportador da oleaginosa.
"Abrindo bem a janela para segunda safra, até o momento. Estamos falando de soja plantada agora que entra em colheita em janeiro, excelente para colocar milho no chão", disse o diretor da consultoria, Matheus Pereira.
Na última semana, os destaques foram Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, que registraram rápido avanço dos trabalhos de campo.
A consultoria citou que 33,3% da safra já foi plantada em Mato Grosso, maior produtor brasileiro. O número está em linha com o anunciado mais cedo pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que indicou um salto de mais de 20 pontos percentuais na semeadura do Estado.
Já no Paraná, o plantio evoluiu pouco em razão do excesso de precipitações, conforme havia alertado o Departamento de Economia Rural (Deral). Contudo, o Estado sulista está adiantado nos trabalhos de semeadura, com mais de 40% da área já plantada, após as chuvas terem chegado mais cedo este ano.
O diretor da Pátria disse ainda que, apesar da evolução no plantio, em partes de Mato Grosso, como o noroeste, alguns tiveram de replantar devido a condições desfavoráveis para o desenvolvimento.
"Centro-Norte do MT está precisando de chuvas. Pode ser um problema se novas rodadas não chegarem na próxima semana.", acrescentou ele.
(Reportagem de Marta Nogueira e Roberto Samora)
Aviso