Por Soren Jeppesen e Louise Rasmussen
COPENHAGUE, 25 Mar (Reuters) - A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, entregou a renúncia de seu governo de coalizão nesta quarta-feira, após sofrer uma grande derrota nas eleições, mas ainda pode emergir como líder de um novo gabinete nas próximas semanas.
Os analistas afirmam que o resultado foi uma revolta dos eleitores em relação às promessas econômicas não cumpridas pelo governo centrista que estava saindo e um sinal de que o eleitorado estava cansado de Frederiksen como líder após sete anos no poder.
O Partido Social Democrata, de Frederiksen, teve sua pior eleição desde 1903 na terça-feira, conquistando apenas 38 cadeiras no Parlamento de 179 assentos -- contra 50 há quatro anos -- em meio às preocupações dos eleitores com o meio ambiente, a crise do custo de vida e o Estado de bem-estar social.
Essas questões de política interna ofuscaram o apoio obtido com a postura desafiadora de Frederiksen em relação às repetidas ambições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adquirir a Groenlândia, um território semiautônomo da Dinamarca, segundo analistas.
"Essa perda foi maior do que se poderia explicar apenas pelo custo de governar", disse Rune Stubager, cientista político da Universidade de Aarhus.
Stubager atribuiu a derrota a decisões econômicas polarizadoras, como o polêmico cancelamento de um feriado público, cortes de impostos para pessoas de alta renda e uma proposta de última hora para introduzir um imposto sobre a fortuna.
A eleição refletiu uma tendência mais ampla de os eleitores se afastarem dos partidos centristas em direção a alternativas anti-imigração e de esquerda. Os partidos nacionalistas de direita aumentaram sua parcela de votos para 17%, de 14,4% em 2022, enquanto o Partido Verde de Esquerda também ganhou terreno.
O Partido Popular Dinamarquês, que é contra a imigração, também capitalizou as preocupações com a inflação e o custo de vida, prometendo reduzir os impostos sobre os combustíveis e organizando eventos de campanha oferecendo gasolina com desconto aos motoristas, disse Stubager.
Embora as duras políticas de imigração de Frederiksen tenham permanecido amplamente alinhadas com o sentimento do público, a agenda econômica doméstica, em vez de sua posição sobre a imigração, teve mais peso na eleição, segundo os analistas.
Apesar do revés, os social-democratas continuaram a ser o maior partido da Dinamarca, com 21,9% de apoio, o que significa que Frederiksen é amplamente vista como tendo uma boa chance de retornar para um terceiro mandato como primeira-ministra, embora somente após difíceis e longas negociações de coalizão.
"Esse é o paradoxo da eleição, o fato de que a grande perdedora, Mette Frederiksen, a primeira-ministra, também é a favorita para se tornar a próxima primeira-ministra", disse o analista político Noa Redington.
O bloco de esquerda de Frederiksen garantiu 84 assentos no Parlamento, um pouco à frente dos 77 assentos do bloco de direita, deixando ambos os lados aquém dos 90 assentos necessários para formar um governo majoritário. O Partido Moderado, de centro, liderado pelo ministro das Relações Exteriores, Lars Lokke Rasmussen, surgiu como um potencial fiel de balança, com 14 cadeiras.
Nesta quarta-feira, os líderes do partido terão reuniões individuais com o rei para sugerir um candidato para a primeira tentativa de formar um governo.
(Reportagem de Tom Little, Soren Jeppesen e Louise Breusch Rasmussen, em Copenhague, e Anna Ringstrom, em Estocolmo)


