21 Jul (Reuters) - O presidente da liga de futebol da Espanha, a LaLiga, Javier Tebas, disse que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, deveria renunciar, acusando a entidade de “destruir a indústria do futebol” ao ampliar as competições internacionais em detrimento das ligas nacionais e dos clubes.
Tebas tem criticado repetidamente a Fifa devido à sobrecarga de jogos e aos planos de ampliar ainda mais a Copa do Mundo.
Em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport, quando perguntaram a Tebas se Infantino deveria deixar o cargo, ele respondeu: “Na minha opinião, sim, acho que o mandato dele chegou ao fim”.
Infantino afirmou em abril que buscaria a reeleição para um quarto mandato como presidente da Fifa, com a votação para o ciclo 2027-2031 marcada para ocorrer no Marrocos, no dia 18 de março do ano que vem.
Questionado sobre as crescentes críticas à liderança de Infantino, Tebas disse que o presidente da Fifa mantém forte apoio entre as federações nacionais, apesar das preocupações no meio do futebol.
“Ele não deveria permanecer no cargo, mas a situação atual indica que ele não vai sair”, disse Tebas.
“Não há candidato da oposição; ninguém quer concorrer para perder. Esse é o sistema, e é um sistema falho desde a base."
“Tenho ouvido muitas pessoas contra Infantino, que não concordam com o que ele está fazendo. Elas falam nisso, mas depois não fazem nada.”
Tebas também questionou a decisão da Fifa de adiar a suspensão de uma partida imposta ao atacante norte-americano Folarin Balogun após um cartão vermelho recebido durante a Copa do Mundo. A decisão foi tomada após a intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Bélgica venceu os Estados Unidos por 4 x 1 nas oitavas de final.
“A suspensão da punição imposta ao jogador norte-americano é um assunto extremamente sério. Eles tiveram sorte de a Bélgica ter eliminado os EUA, pois, caso contrário, poderia ter surgido um caso que talvez custasse o cargo a Infantino”,
“Como a Bélgica venceu, eles conseguiram enterrar o assunto. Mas essas coisas são apenas a ponta do iceberg.”
Os comentários de Tebas surgem em meio a tensões crescentes nas estruturas de governança do futebol.
O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, não compareceu à final da Copa do Mundo no domingo, após uma série de desentendimentos entre a entidade que rege o futebol europeu e a Fifa sobre procedimentos disciplinares, logística de arbitragem e operações das partidas, informou à Reuters nesta terça-feira uma fonte com conhecimento direto do assunto.
Tebas também criticou as propostas de ampliar a Copa do Mundo masculina para 64 seleções, depois que o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, renovou os apelos para que a Fifa amplie a edição do centenário do torneio em 2030.
Infantino já havia admitido anteriormente que um formato com 64 seleções poderia ser considerado no futuro.
Tebas afirmou que um aumento adicional no número de seleções participantes prejudicaria as competições nacionais e o setor do futebol como um todo.
“Aumentar o número de seleções nacionais não faz sentido”, disse Tebas.
“A indústria do futebol não se resume apenas à Copa do Mundo, que é o evento mais importante. Mas nem tudo pode girar em torno da Copa do Mundo. São as competições nacionais que sustentam esse esporte."
“Eles estão destruindo a indústria do futebol, que gera dezenas de milhares de empregos, por um evento que dura 40 dias e do qual participa apenas uma minoria de jogadores.”
(Reportagem de Karan Prashant Saxena, em Bengaluru)




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