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Produtores de etanol do Brasil protestam contra tarifas dos EUA

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Produtores de etanol do Brasil protestam contra tarifas dos EUA
Produtores de etanol do Brasil protestam contra tarifas dos EUA

Por Oliver Griffin e Roberto Samora

SÃO PAULO, 16 Jul (Reuters) - Os produtores brasileiros de etanol e açúcar manifestaram, nesta quinta-feira, sua consternação com a imposição de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo dos EUA, lamentando um retrocesso na cooperação entre os dois países.

De acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar e da Bioenergia (Unica), os EUA foram destino de 253 milhões de litros de exportações de etanol em 2025, no valor de US$163 milhões, tornando o país norte-americano o segundo mercado externo mais importante do setor, atrás apenas da Coreia do Sul.

No mesmo ano, os EUA também representaram 420 mil toneladas métricas das exportações de açúcar do Brasil, maior produtor mundial do produto, o que representa uma queda significativa em relação ao volume de 1,12 milhão de toneladas que o país exportou aos norte-americanos em 2024.

A decisão "desconsidera importantes assimetrias na relação comercial entre os dois países", afirmou a Unica em comunicado. "As exportações brasileiras de açúcar permanecem sujeitas às tarifas e restrições de acesso impostas pelos Estados Unidos, enquanto o Brasil mantém uma política não discriminatória para o etanol..."

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, justificou as novas tarifas de 25% -- que devem entrar em vigor em 22 de julho -- sobre milhares de produtos brasileiros, citando o que chamou de práticas comerciais desleais, uma acusação rejeitada pelo Brasil.

Entre os motivos apresentados por Greer estava o atual acesso dos EUA ao mercado brasileiro de etanol. As importações brasileiras de etanol dos EUA diminuíram significativamente nos últimos anos, segundo dados do USTR.

Em comunicado, a União Nacional de Etanol de Milho (Unem) afirmou que a tarifa imposta pelo Brasil, atualmente em 18%, é aplicada de forma não discriminatória, em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio, acrescentando que nenhum acordo bilateral com os Estados Unidos está sendo violado.

A redução nas importações brasileiras de etanol dos EUA decorre da expansão da produção nacional de etanol de milho, o que aumentou a oferta interna, afirmou a Unem.

Embora a indústria brasileira de etanol já tenha sido dominada pelos produtores de cana-de-açúcar, a produção de etanol de milho e de grãos disparou nos últimos anos, à medida que o país sul-americano explora todos os tipos de matérias-primas para a produção de etanol.

Com suas novas tarifas, os EUA estão demonstrando que querem melhor acesso ao mercado brasileiro de etanol sem fazer concessões para as importações de açúcar do Brasil, afirmou Renato Cunha, presidente executivo da NovaBio, associação brasileira de açúcar e bioenergia, em entrevista.

"Querem exportar etanol para um país que não tem necessidade de importar", disse Cunha. "Isso não é negociação, é imposição, são coisas diferentes."

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