Por Dietrich Knauth
NOVA YORK, 28 Abr (Reuters) - A Purdue Pharma compareceu ao tribunal federal de Nova Jersey nesta terça-feira para ser sentenciada sob a acusação de enganar os órgãos reguladores do governo norte-americano e pagar propinas a médicos para impulsionar as vendas de opioides.
A definição da sentença vai concluir um processo de confissão que abre caminho para a empresa se dissolver em falência e usar seus ativos para financiar um acordo de US$7,4 bilhões destinado a compensar pessoas prejudicadas pela epidemia de opioides.
A juíza distrital Madeline Cox Arleo, em Newark, Nova Jersey, se disse inclinada a aceitar o acordo, mas afirmou que primeiro quer ouvir as vítimas da crise de opioides. Várias das vítimas enviaram cartas ao tribunal com histórias pessoais de sofrimento, perda e dependência, e mais de 30 foram chamadas para falar no tribunal.
Alexis Pleus, cujo filho -- Jeff -- morreu após tomar opioides por causa de uma lesão no futebol e se tornar viciado, disse à juíza que o acordo não faria justiça.
"A punição não condiz com o crime e pedimos que rejeite esse acordo", disse Pleus.
A empresa concordou em pagar US$5,5 bilhões em multas, mas boa parte não será paga devido a um acordo de 2020 com o Departamento de Justiça dos EUA, no qual a agência cobrará apenas US$225 milhões.
O acordo permite que a Purdue destine seus ativos remanescentes ao pagamento de credores — em sua maioria governos estaduais e municipais — que ficaram encarregados de arcar com os custos e as consequências da crise dos opioides em suas comunidades.
O advogado da Purdue, Eli Vonnegut, disse no tribunal nesta terça-feira que o acordo cumpre as promessas feitas no litígio de falência, mesmo que as vítimas da crise de opioides tenham direito a muito mais do que a empresa pode pagar.
(Reportagem de Dietrich Knauth; reportagem adicional de Daniel Wiessner)



