MOSCOU, 9 Mar (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira que a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã desencadeou uma crise global de energia e advertiu que a produção de petróleo dependente do transporte pelo Estreito de Ormuz pode ser interrompida em breve.
Putin declarou que a Rússia -- segundo maior exportador de petróleo do mundo e detentor das maiores reservas de gás natural -- está pronta para trabalhar novamente com os clientes europeus caso eles queiram retornar à cooperação de longo prazo.
As potências ocidentais passaram os últimos quatro anos reduzindo drasticamente sua dependência do petróleo e do gás russos em resposta à guerra de Moscou na Ucrânia e às subsequentes sanções da UE e do G7.
A perda do mercado europeu privou a Rússia de seus clientes mais lucrativos e a forçou a vender petróleo e gás com grandes descontos para a Ásia.
Em uma reunião televisionada com autoridades do governo e chefes dos principais produtores de petróleo e gás do país, Putin disse que a Rússia alertou repetidamente que a desestabilização do Oriente Médio poderia levar a uma crise de energia com graves implicações para a economia global -- reviravolta nos acontecimentos que, segundo ele, já se concretizou.
Os preços do petróleo ultrapassaram US$100 por barril nesta segunda-feira, atingindo picos nunca vistos desde 2022, já que o Estreito de Ormuz, que responde por cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito, foi efetivamente fechado devido à guerra no Irã.
"A produção de petróleo dependente do Estreito de Ormuz corre o risco de ser totalmente interrompida no próximo mês. Ela já começou a diminuir, e as instalações de armazenamento na região estão se enchendo de petróleo que não pode ser transportado... é extremamente difícil de transportar, ou é extremamente caro para transportar", avaliou Putin.
Segundo ele, as empresas russas devem aproveitar a situação atual no Oriente Médio, embora tenha observado que o aumento nos preços seja provavelmente temporário. Petróleo e gás representam cerca de um quarto do total das receitas do orçamento federal.
As nações do G7 disseram nesta segunda-feira estar preparadas para implementar "medidas necessárias" em resposta ao aumento dos preços globais do petróleo, mas não se comprometeram a liberar reservas de emergência.
"Estamos prontos para trabalhar com os europeus também. Mas precisamos de alguns sinais deles de que estão prontos e dispostos a trabalhar conosco e garantirão essa sustentabilidade e estabilidade", disse Putin.
Na semana passada, ele instruiu o governo a considerar a possibilidade de transferir os fluxos de petróleo e gás russos remanescentes para fora da Europa, antes que a União Europeia comece a aplicar sua proibição a combustíveis fósseis russos.
Antes da guerra da Ucrânia, a Europa comprava mais de 40% de seu gás da Rússia, mas as vendas combinadas de gás de gasoduto e GNL da Rússia representaram apenas 13% do total das importações da UE em 2025.
(Reportagem de Maxim Rodionov e Vladimir Soldatkin)

