RIO E TEGUCIGALPA - Entre 2009 e 2010, após ser deposto por tentativas de mudar a Constituição e instituir a reeleição, o ex-presidente Manuel Zelaya passou quatro meses na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Apesar de ser acusado pela oposição de ter cometido 18 crimes, entre delitos políticos e comuns, a ONU classificou a prisão de Zelaya como um golpe militar. O Brasil e os outros países da América Latina também defendiam a restauração de Zelaya ao poder desde o início da crise, em junho de 2009, quando o Exército, em cumprimento a um mandado de prisão emitido pelo Poder Judiciário, prendeu o então presidente.
Zelaya foi retirado de sua casa em Tegucigalpa ainda de pijamas e levado para uma base aérea nas imediações da cidade, e depois para o aeroporto da capital, onde embarcou com destino à Costa Rica. A deportação não estava autorizada na ordem emitida pelas autoridades judiciais e contrariou o Artigo 102 da Constituição.
De volta ao país às escondidas em setembro, Zelaya viveu na representação diplomática brasileira por quatro meses, até embarcar para a República Dominicana com um salvo-conduto expedido pelo novo governo. Em novembro, conforme o cronograma eleitoral, foram realizadas novas eleições no país. Apesar do pedido de Zelaya para que os hondurenhos boicotassem o pleito, uma significativa participação popular elegeu Porfírio “Pepe” Lobo presidente.
