Por Andrew Osborn
MOSCOU, 2 Abr (Reuters) - Estudantes de toda a Rússia estão recebendo grandes incentivos financeiros para se juntarem às unidades de drones que lutam na Ucrânia como operadores e engenheiros, enquanto as empresas da região de Ryazan, centro da Rússia, têm recebido cotas para inscrever trabalhadores no Exército, segundo documentos.
O esforço de recrutamento, que ocorre enquanto as forças russas continuam a avançar no campo de batalha na Ucrânia e no momento em que as negociações de paz intermediadas pelos EUA estão congeladas devido à guerra do Irã, sugere que Moscou está diversificando seu esforço para reabastecer as fileiras de seu Exército no que é o quinto ano de sua guerra.
Mas isso não faz parte de uma campanha de mobilização geral, algo que o Kremlin disse esta semana não estar na agenda. Além disso, segundo autoridades graduadas, a Rússia não está com falta de recrutas, apesar das alegações ucranianas -- rejeitadas por Moscou -- de que Kiev está eliminando as tropas russas mais rapidamente do que elas podem ser recrutadas.
Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança, disse à mídia estatal que o sistema de recrutamento da Rússia, que oferece pacotes financeiros substanciais aos voluntários, continua a dar resultados. Mais de 400.000 pessoas se inscreveram no ano passado e mais de 80.000 até agora neste ano, segundo ele.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na quinta-feira que não tinha visto documentos oficiais referentes ao recrutamento de estudantes e às cotas de recrutamento corporativo em Ryazan, mas confirmou que os estudantes estavam sendo incentivados a se juntar às forças de drones da Rússia, uma nova divisão das Forças Armadas criada no final do ano passado por ordem do presidente Vladimir Putin.
A oferta de recrutamento se aplica igualmente a todos -- trabalhadores, estudantes e desempregados, afirmou Peskov aos repórteres. "Esta é uma oferta totalmente aberta, uma oferta para ingressar em um novo tipo de unidade."
A iniciativa da Rússia de visar os estudantes -- um processo que, segundo os críticos, às vezes foi acompanhado de pressão indevida -- sugere que Moscou está interessada em colocar recursos humanos mais qualificados em suas forças de drones que -- como as da Ucrânia -- desempenham um papel cada vez mais importante no que há muito se tornou uma guerra de atrito.
Os operadores de drones de ambos os lados geralmente trabalham a uma certa distância da linha de frente, mas são considerados alvos de alto valor, que são perseguidos e mortos se suas posições forem reveladas.
A Universidade Federal do Extremo Oriente, em Vladivostok, está prometendo aos alunos que se inscreverem um mínimo de um ano de licença acadêmica prorrogável e uma isenção garantida de quaisquer taxas educacionais em seu retorno, além de acomodação gratuita e subsídios. Ela também está se comprometendo a cobrir os custos de qualquer equipamento militar e armamento necessário.
Isso além do que, para os padrões locais, é um pacote financeiro substancial: um salário de 5,5 milhões de rublos (US$68.433) no primeiro ano, um pagamento único de 2,5 milhões de rublos após o treinamento gratuito, um subsídio mensal de 240.000 rublos e um pagamento único de 200.000 rublos da universidade.
"Esta não é apenas uma oportunidade de provar seu valor, mas também uma plataforma única para o avanço social e profissional, apoiada por medidas de apoio sem precedentes", disse a universidade em um documento publicado em 19 de março.
(Reportagem adicional de Dmitry Antonov em Moscou e John Irish em Paris)


