O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira, 6, o impeachment do presidente Santiago Peña, em meio à crise política provocada pelo escândalo envolvendo o Ueno Bank. Com a destituição de Peña, o vice dele, Pedro Alliana, assume o cargo até 2028.
A instituição financeira sofreu intervenção do Banco Central após enfrentar problemas de solvência, deixando milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e desencadeando protestos no país.
Em comunicado divulgado minutos antes da votação, Peña já admitia a derrota. "Apresentei minha renúncia para evitar maiores danos ao país e ajudar a restabelecer a tranquilidade no Paraguai. Não quero que minha presença cause mais divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu futuro pessoal", alegou.
A votação terminou com 44 senadores favoráveis à sua saída. Peña foi considerado responsável por mau desempenho de suas funções, uma das hipóteses previstas na Constituição paraguaia para a destituição de um presidente. A decisão teve apoio de todas as bancadas e alcançou o número de votos necessário para afastá-lo imediatamente do cargo.
Além de determinar a saída de Peña e abrir caminho para a sucessão presidencial, o Congresso decidiu enviar a documentação do processo à Procuradoria-Geral do Estado para a adoção de medidas na esfera criminal.
A crise está relacionada à intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que enfrentava problemas de solvência e tinha vínculos com o grupo empresarial do qual Peña foi acionista até 2025. O colapso afetou clientes e provocou protestos no país.
O presidente também é alvo de acusações relacionadas à crise financeira. Parlamentares questionam a fiscalização da instituição, a condução de sua intervenção e a destinação de recursos públicos depositados no banco.
Peña anuncia despedida nas redes sociais
Peña não participou da sessão que resultou em seu afastamento. Em vez de comparecer ao Senado, deixou a defesa a cargo dos advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro e publicou uma mensagem de despedida nas redes sociais.
Na publicação, o presidente também mencionou a situação dos clientes e aposentados atingidos pela crise financeira e defendeu a recuperação da confiança nas instituições do país.
"Hoje, devemos nos unir, como paraguaios, para reconstruir nossas instituições e restaurar a confiança. Despeço-me com gratidão, sem ignorar a angústia daqueles que, neste momento, aguardam por respostas. É hora de unir forças para reconstruir nossas instituições e atender, por meio de ações e responsabilidade, às necessidades daqueles que estão sendo afetados. Que Deus abençoe o Paraguai", concluiu.
Portal do Holanda
Vídeo
Aviso