Por Patricia Zengerle
WASHINGTON, 24 Jun (Reuters) - O Senado dos EUA aprovou na terça-feira um projeto de lei que determina que o presidente Donald Trump suspenda as ações militares norte-americanas contra o Irã, a mais recente repreensão ao presidente republicano por parte de um Congresso cada vez mais insatisfeito.
O Senado votou por 50 a 48 a favor da resolução sobre poderes de guerra, que havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados neste mês, refletindo a crescente preocupação, mesmo entre alguns correligionários republicanos de Trump, com o conflito impopular que teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram um ataque contra o Irã.
Foi a primeira vez que ambas as casas do Congresso aprovaram uma resolução instruindo um presidente a retirar as Forças Armadas dos Estados Unidos das hostilidades desde que a Resolução sobre Poderes de Guerra, mais comumente conhecida como Lei dos Poderes de Guerra, foi promulgada em 1973.
Embora provavelmente continue sendo em grande parte simbólica, a votação representou um revés para Trump, que até recentemente contava com apoio quase unânime dos membros republicanos do Congresso.
Isso ocorre também no momento em que se espera que o governo solicite ao Congresso a autorização de dezenas de bilhões de dólares para financiar a guerra.
Os republicanos detêm maiorias estreitas tanto no Senado quanto na Câmara, mas alguns se distanciaram do presidente em algumas questões antes das eleições de meio de mandato em novembro, que determinarão se o partido manterá o controle do Congresso.
Recentemente, alguns republicanos se opuseram ao fundo de US$1,8 bilhão de Trump para "combate à instrumentalização política", destinado a indenizar aliados políticos que, segundo ele, foram alvo das autoridades federais, e paralisaram um projeto de lei de US$70 bilhões para financiar sua ofensiva contra a imigração.
Resultados de pesquisa Reuters/Ipsos divulgados na terça-feira mostraram que apenas um em cada quatro norte-americanos acredita que a guerra contra o Irã valeu a pena, e a maioria teme que uma trégua com Teerã provavelmente não dure.
A votação no Senado seguiu, em grande parte, as linhas partidárias, com quatro republicanos se juntando a todos os democratas, exceto um, a favor da medida. Dois senadores republicanos não votaram.
Em uma postagem na noite de terça-feira, Trump criticou a votação, chamando-a de "inoportuna e sem sentido", e acusou aqueles que votaram a favor de dar "conforto" ao Irã e tornar seu trabalho "mais difícil".
(Reportagem de Patricia Zengerle; reportagem adicional de Richard Cowan, Trevor Hunnicutt e Kanishka Singh)



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