O número de mortos na chegada em massa de migrantes a Ceuta, enclave espanhol no norte da África, subiu para pelo menos 72 neste domingo, após a localização de mais cinco corpos ao longo da costa. O fluxo sem precedentes começou na quinta-feira, com mais de 50 mil pessoas entrando na cidade por terra e mar, vindas de Marrocos, em uma das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África.
As autoridades espanholas informaram que mais de 48 mil pessoas já retornaram a Marrocos em 48 horas, e outras tantas fizeram o caminho de volta durante o fim de semana. Além das mortes, mais de mil pessoas precisaram de atendimento nos serviços de saúde desde quinta-feira. A situação na cidade melhorou, mas ainda há muito a ser feito para restabelecer a normalidade.
Alguns migrantes se afogaram e outros foram esmagados ao tentar escalar um quebra-mar e a cerca da fronteira. Muitos foram impulsionados por dificuldades econômicas e por boatos espalhados nas redes sociais. Uma cidadã francesa com família em Marrocos, visivelmente emocionada, lamentou que jovens e até mulheres com bebês estejam morrendo no mar em pleno 2026.
O líder de Ceuta afirmou que o necrotério da cidade recebeu 88 corpos, incluindo de pessoas que morreram em tentativas anteriores nas últimas duas semanas. As autoridades marroquinas também estariam recuperando corpos do mar, mas sem confirmação oficial.
Em resposta, a Espanha reforçou o patrulhamento policial e militar e instalou uma barreira flutuante de 500 metros ao largo de Ceuta. Vinte e dois países da União Europeia pediram ação coordenada para proteger as fronteiras externas, e a Itália suspendeu temporariamente o acordo de livre circulação com a Espanha no espaço Schengen.
A Espanha, que tem uma política mais aberta para migrantes em comparação com outros países europeus, rejeitou críticas de que seu programa de residência teria incentivado a entrada descontrolada, afirmando que quem entrou de forma irregular não pode viajar para o resto da Espanha ou da zona Schengen.



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