Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 1 Jun (Reuters) - A transmissora de energia Taesa vai se concentrar ao longo do ano na incorporação de novos ativos recém-adquiridos e nas discussões com o governo federal sobre a renovação de suas concessões, enquanto projeta um retorno aos leilões do segmento em 2027, disse o diretor-presidente, Rinaldo Pecchio Jr, à Reuters.
A companhia, que tem controle dividido entre a estatal mineira Cemig e ISA Energia, espera assumir em quatro meses as novas linhas de transmissão e subestações compradas da Energisa, em transação de R$2,3 bilhões que combinou "sinergias operacionais, administrativas e também potencial de crescimento", destacou o CEO.
"A gente comprou ativos no Pará, Tocantins, Bahia e Goiás. Os três primeiros têm óbvias sinergias capturáveis, e o de Goiás, a gente vê um crescimento por toda essa questão de agro, com possibilidade de aumentar um pouco a potência de transformação ('MVA')".
Segundo o executivo, o negócio marcou um retorno da Taesa ao mercado de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), em momento em que a companhia entra em um processo de desalavancagem que vai se acentuar em 2028.
Ele avaliou ainda que compras de ativos já operacionais podem ser mais atrativas do que os certames para novos projetos, que continuam com taxas de retorno apertadas devido à forte competição entre empresas do setor.
"Nessa transação, fizemos mais ou menos a metade do investimento que fizemos comparado aos leilões dos últimos seis anos. E a gente trouxe mais quilômetros de linhas e potência de transformação do que (nos leilões) nos últimos seis anos."
Sobre a participação em leilões este ano, que tem mais duas concorrências programadas até dezembro, o CEO disse que a participação da Taesa não está totalmente descartada, mas que isso só acontecerá se a empresa identificar uma oportunidade que preserve sua saúde financeira e capacidade de distribuição de dividendos.
"Este ano, talvez a chance de participar seja um pouco menor. A partir do próximo ano, com a absorção (dos novos ativos), a gente já gerando o resultado, pode ser que a gente tenha condição de voltar".
Outra prioridade da agenda da transmissora é a discussão, com o governo federal, para a renovação de uma parte importante de suas concessões. Os contratos expiram em 2030, mas a empresa precisa manifestar seu interesse em manter o negócio três anos antes, em meados de 2027.
O CEO ressalta a importância da definição de regras para esse processo, já que ainda não estão claros pontos centrais, como indenização sobre ativos não amortizados e se haverá renovação dos contratos ou relicitação dos ativos.
O executivo disse que vem pedindo ao governo que a alternativa de renovação ou relicitação seja analisada caso a caso, dependendo do desempenho de cada concessão e transmissora. A Taesa também defende que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) seja chamado para opinar sobre o tema.
"Em um momento tão crítico da transmissão e da geração de energia, com a questão de cortes de geração e tudo mais, estamos falando: nós temos dado conta do recado".
(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)



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