Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 18 Mar (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira com leves baixas entre os contratos de curto prazo, enquanto as taxas longas subiram em uma sessão marcada por nova intervenção no mercado do Tesouro, pela decisão do Federal Reserve sobre juros e pela expectativa antes do anúncio do Copom.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para abril de 2026 estava em 14,703%, em baixa de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,731% da sessão anterior. O DI para janeiro de 2027 estava em 14,145%, com baixa de 1 ponto-base ante o ajuste de 14,158%. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,895%, com elevação de 7 pontos-base ante 13,825%.
Ao longo do dia, a curva a termo reagiu a diferentes estímulos.
Como vem fazendo desde o início da semana, o Tesouro realizou leilões extraordinários de títulos pela manhã, nos quais recomprou um total de R$5,41 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F), ambos os títulos prefixados.
O objetivo da operação, como afirmou o Tesouro na segunda-feira, era garantir o "bom funcionamento" do mercado, em um contexto de preocupações com o efeito inflacionário da disparada do petróleo em função da guerra no Oriente Médio.
Após a operação, as taxas dos DIs de prazos mais longos exibiram baixas, na esteira da recompra pelo Tesouro de títulos com vencimentos para 2030, 2032, 2033 e 2035.
Durante a tarde, o Tesouro não realizou nova intervenção, ao contrário do que foi visto na segunda e na terça-feira.
Já o Federal Reserve anunciou no meio da tarde a manutenção de sua taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75% e indicou que segue projetando apenas um corte de juros em 2026, a despeito da inflação mais alta.
Em entrevista após o anúncio, o chair do Fed, Jerome Powell, afirmou que as implicações da guerra no Oriente Médio são incertas, mas que os preços mais altos de energia no curto prazo vão impulsionar a inflação. Segundo ele, ainda é cedo para saber a duração dos efeitos da guerra sobre a economia.
Após a decisão do Fed, os rendimentos dos Treasuries exibiram altas firmes, em especial entre os contratos de curto prazo, com investidores elevando as apostas de que a instituição não cortará juros em junho -- mês que era visto como o do possível início do ciclo de baixa.
Às 16h39, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha alta de 8 pontos-base, a 3,754%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 6 pontos-base, a 4,257%.
No Brasil, após a decisão do Fed as taxas dos DIs com prazos mais longos também se firmaram em alta, ainda que limitada, enquanto as taxas curtas exibiam baixas leves. Neste caso, investidores faziam os últimos ajustes de posições antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, marcada para depois das 18h30, quando o mercado já estará fechado.
A precificação majoritária nos ativos é de corte de 25 pontos-base da Selic, mas nos últimos dias cresceram as apostas de que o BC pode optar pela manutenção da taxa básica em 15%, tendo em vista o impacto inflacionário trazido pela guerra.
Durante a sessão, os agentes acompanharam ainda as movimentações do governo para evitar uma greve de caminhoneiros no Brasil, em função da alta dos combustíveis. Entre as medidas anunciadas está o aperto da fiscalização para cumprimento do frete mínimo dos caminhoneiros.

