Início Mundo Taxas dos DIs caem pela terceira sessão com exterior e política no radar
Mundo

Taxas dos DIs caem pela terceira sessão com exterior e política no radar

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 3 Set (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam em baixa pela terceira sessão consecutiva nesta quinta-feira, em meio ao recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior e à expectativa pela divulgação de nova pesquisa eleitoral do Datafolha.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,585%, com baixa de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,661% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,28%, com recuo de 9 pontos-base ante 14,369%. No acumulado das últimas três sessões, essas taxas cederam 23 e 31 pontos-base, respectivamente.

Parte desse movimento esteve ligado à disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto.

Na quarta-feira, uma pesquisa da Quaest mostrou uma diferença menor nas intenções de voto entre Lula e Flávio, com os dois tecnicamente empatados no segundo turno. Nesta quinta-feira, os investidores aguardavam pela divulgação de nova pesquisa Datafolha no início da noite.

De modo geral, Lula tem sido visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a redução numérica da distância para Lula -- têm se refletido na queda do dólar ante o real e na redução de prêmios na curva a termo.

Durante o dia, a queda dos rendimentos dos Treasuries, após o diretor do Federal Reserve Christopher Waller afirmar que poderá defender a manutenção da taxa de juros nos EUA este mês, caso os dados econômicos confirmem a diminuição das pressões inflacionárias nos EUA, corroborou o recuo das taxas no Brasil.

“Waller teve um tom considerado mais ‘dovish’ (brando com a política monetária) hoje, dizendo que pode propor manutenção de juros na reunião de setembro do Fed”, pontuou Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil. “Isso ajudou a corrigir um pouco a curva americana, e o Brasil acompanhou.”

Após marcar uma máxima intradia de 13,630% (-3 pontos-base) às 9h17, ainda na primeira meia hora de negócios, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de 13,555% (-11 pontos-base) às 11h50.

Nas últimas sessões, os investidores vêm consolidando as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortará a taxa básica Selic, hoje em 14%, em 25 pontos-base em setembro, podendo promover nova redução em novembro.

Por trás disso está tanto o fator político, com Flávio diminuindo a diferença para Lula, quanto os dados econômicos mais recentes no Brasil, sugerindo desaceleração da atividade econômica.

De acordo com Marcos Praça, os ativos no Brasil estão “abrindo caminho” para novas reduções da Selic até o fim do ano, mas não indicam perspectiva de continuidade do movimento em 2027.

“Hoje o mercado deixa a entender que está precificando que o Copom pode dar mais cortes este ano, mas para 2027 não tem corte nenhum”, comentou.

No leilão semanal de títulos prefixados, o Tesouro vendeu no fim da manhã 19 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e 14 milhões de Notas do Tesouro Nacional -- Série F (NTN-Fs). Na semana passada, a colocação havia sido de 23 milhões de LTNs e 8 milhões de NTN-Fs.

Às 16h53, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 5 pontos-base, a 4,338%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 2 pontos-base, a 4,77%.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!