Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 26 Out (Reuters) - As taxas dos DIs dispararam nesta manhã de segunda-feira após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, surpreendendo o mercado.
Às 9h58, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,915%, em alta de 206 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,375%, com elevação de 263 pontos-base ante 12,745%.
Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste nesta manhã é intenso.
Na noite de domingo, profissionais consultados pela Reuters já haviam projetado um forte avanço das taxas dos DIs, em especial nos contratos com prazos mais longos, que refletem mais diretamente a perspectiva para a política fiscal.
No dia seguinte ao primeiro turno, quando Flávio ficou à frente de Lula, a taxa do DI para janeiro de 2035 chegou a ceder mais de 130 pontos-base, em meio à euforia do mercado com a possibilidade de o senador vencer a disputa.
Por trás da euforia estava a leitura de que, com Flávio no Planalto, cresceriam as chances de um ajuste nas contas públicas. Como Lula venceu o segundo turno, garantindo mais um mandato, a curva a termo brasileira está enfrentando um forte ajuste de alta nesta segunda-feira.
Em função das oscilações, a B3 elevou, por meio de comunicado, todos os limites de alta das taxas dos DIs, em todos os vencimentos.
Em outra medida, o Tesouro Nacional informou nesta manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira. Por outro lado, o Tesouro manteve o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira.
Ao anunciar os cancelamentos, o Tesouro busca não estimular taxas ainda mais elevadas nos mercados de títulos e de DIs.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 9h58 desta segunda-feira:
Mês Ticker Taxa Ajuste Variação
(% anterior (p.p.)
a.a.) (% a.a.)
JAN/27 13,9 13,468 0,432
JAN/28 14,915 12,859 2,056
JAN/29 15,03 12,642 2,388
JAN/30 15,215 12,645 2,57
JAN/31 15,25 12,642 2,608
JAN/35 15,375 12,745 2,63
(Edição de Isabel Versiani)
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