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Taxas dos DIs sobem após pesquisa eleitoral e aprovação do fim da escala 6x1

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 15 Out (Reuters) - As taxas dos DIs operavam em alta nesta manhã de quinta-feira, pela terceira sessão consecutiva, após nova pesquisa eleitoral reforçar o cenário de empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.

O movimento, amparado ainda pela aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6 x 1, contrasta com o exterior, onde os rendimentos dos Treasuries despencavam nesta manhã.

Às 10h10, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,815%, em alta de 11 pontos-base ante o ajuste de 12,704% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,75%, com elevação de 14 pontos-base ante 12,613%.

Pesquisa Quaest divulgada na noite de quarta-feira mostrou Flávio com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os candidatos estão tecnicamente empatados. Os indecisos são 1%, enquanto 9% disseram que votarão em branco, nulo ou que não votarão.

A pesquisa revelou também que Flávio é rejeitado por 54% dos eleitores e Lula por 53%.

O cenário de empate técnico entre os candidatos, já identificado pela pesquisa BTG/Nexus na terça-feira, também voltava a impulsionar o dólar nesta manhã.

No mercado, boa parte dos agentes considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.

Assim, notícias vistas como não tão favoráveis a Flávio -- como o empate técnico com Lula -- tendem a dar força ao dólar e às taxas dos DIs.

Também na noite de quarta-feira, o Senado aprovou o fim da escala de trabalho 6 x 1 e a redução da jornada de trabalho semanal, em uma vitória para o governo Lula em um dos principais temas da campanha eleitoral.

Flávio, que não discursou sobre o assunto durante os debates no Senado, votou pelo fim da escala, em uma mudança de posição sobre a proposta. Na terça-feira, o senador defendeu que o governo pague uma compensação às empresas, mas não abordou os eventuais impactos fiscais disso.

O peso da disputa presidencial deixava em segundo plano nesta quinta-feira o noticiário econômico. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou mais cedo que as vendas no varejo subiram 0,1% em agosto ante julho e avançaram 0,4% na comparação com agosto do ano passado. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas de 0,7% na margem e 1,45% no ano.

"Em conjunto, os dados de agosto tornam cada vez mais evidentes o enfraquecimento gradual da atividade econômica. Serviços e indústria apontam na mesma direção: o volume de serviços recuou 0,1% e a produção industrial caiu 0,6% em agosto ante julho deste ano", destacou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries cediam após os EUA informarem que os pedidos de auxílio-desemprego no país atingiram 199 mil na semana passada, quase em linha com os 200 mil esperados. Já as vendas no varejo subiram 0,8%, ante projeção de 0,3%. Os preços ao produtor nos EUA subiram 1,3% em setembro.

Às 10h10, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 13 pontos-base, a 5,064%.

Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 10h10 desta quinta-feira:

Mês Ticker Taxa Ajuste Variação

(% anterior (p.p.)

a.a.) (% a.a.)

JAN/27 13,486 13,471 0,015

JAN/28 12,815 12,704 0,111

JAN/29 12,59 12,438 0,152

JAN/30 12,6 12,454 0,146

JAN/31 12,63 12,495 0,135

JAN/35 12,75 12,613 0,137

(Edição de Pedro Fonseca)

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