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Taxas dos DIs sobem com agentes ponderando dados de desemprego e guerra

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) iniciaram esta sexta-feira em alta, com investidores ponderando os dados de desemprego divulgados pelo IBGE e o cenário de guerra no Oriente Médio, que colocou o petróleo novamente acima dos US$110 o barril.

Às 9h42, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,2%, com alta de 9 pontos-base ante o ajuste de 14,111% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,175%, com elevação de 2 pontos-base ante 14,151%.

No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 4 pontos-base, a 4,46%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta manhã que a taxa de desemprego ficou em 5,8% nos três meses até fevereiro, quase em linha com a mediana de 5,7% das projeções dos economistas ouvidos pela Reuters.

No exterior, os mercados reagem à pausa de dez dias dos ataques dos Estados Unidos às usinas do Irã, anunciada na véspera pelo presidente norte-americano, Donald Trump. A pausa durará até 6 de abril.

Ao mesmo tempo, conforme reportagem do Wall Street Journal, o Pentágono avalia o envio de até 10 mil soldados adicionais ao Oriente Médio, para oferecer a Trump mais opções militares.

Neste cenário, o petróleo tipo Brent subia 3% nesta manhã, aos US$111,25 o barril, refletindo os receios de que o Estreito de Ormuz -- importante ponto de transporte da commodity -- siga na mira do Irã. As taxas dos Treasuries e dos DIs reagem em alta, em meio às preocupações com os impactos inflacionários da disparada do petróleo.

Conforme relatório divulgado nesta manhã pela Warren Rena, a inflação acumulada em 12 meses implícita nos títulos públicos brasileiros com vencimento em agosto deste ano estava em 5,25%, bem acima dos 3,41% de um mês atrás. A meta contínua de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%.

Esta desancoragem -- percebida também no relatório Focus, em que economistas projetam inflação de 4,17% no fim deste ano, acima dos 3,91% de antes da guerra -- tem mantido a cautela do mercado em relação à taxa básica Selic.

Na quinta-feira, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a instituição precisa de "tempo para entender" os efeitos econômicos da guerra, mantendo as dúvidas sobre o que a instituição anunciará em abril: outro corte de 25 pontos-base da Selic, redução de 50 pontos-base ou mesmo manutenção em 14,75%.

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