Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 23 Out (Reuters) - As taxas dos DIs operavam com altas nesta manhã de sexta-feira com o mercado digerindo a nova pesquisa Datafolha, mostrando empate na disputa pela Presidência, e a inflação pelo IPCA-15 em outubro, abaixo do esperado.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries também sustentavam altas depois de terem despencado na véspera.
Às 10h32, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 12,93%, em alta de 4 pontos-base ante o ajuste de 12,886% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,87%, com elevação de 11 pontos-base ante 12,762%.
No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 2 pontos-base, a 4,97%.
O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados com 50% dos votos válidos no segundo turno da eleição presidencial, que acontecerá no próximo domingo. Na semana passada, Flávio tinha 51% e Lula somava 49% dos votos válidos, que não consideram brancos, nulos e indecisos.
No primeiro turno, Flávio venceu com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Considerando as intenções de votos totais, Flávio somou 47% e Lula teve 46% na pesquisa mais recente, com 2% de indecisos e 5% de brancos, nulos ou que não pretendem votar.
Apesar do acirramento da disputa, boa parte do mercado segue posicionado para uma vitória de Flávio. A percepção de muitos agentes é de que, apesar da aproximação, Flávio se mantém à frente de Lula e haveria pouco tempo para uma virada.
A leitura de boa parte dos agentes ainda é de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
No campo econômico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta manhã que o IPCA-15 subiu 0,32% em outubro ante o mês anterior, após aumento de 0,70% em setembro. A desaceleração foi maior que o esperado pelo mercado, que projetava taxa de 0,43%.
Considerado uma prévia da inflação oficial, o IPCA-15 acumulou alta de 4,62% nos 12 meses até outubro -- abaixo da projeção de 4,73% do mercado, mas ainda acima do teto de 4,50% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central.
Os dados do IPCA-15 mostraram que a deflação dos preços de energia e de passagens aéreas em outubro ajudou a compensar a aceleração de alimentos e combustíveis.
A abertura do IPCA-15 mostrou ainda que a alta dos serviços desacelerou de 0,59% em setembro para 0,22% em outubro, enquanto a taxa de serviços subjacentes, que excluem alguns itens mais voláteis, passou de 0,28% para 0,45% no período, conforme cálculos do banco Bmg. A inflação de serviços intensivos em mão de obra permaneceu em 0,56%.
Ainda de acordo com o Bmg, a taxa média dos núcleos de inflação calculados pelo Banco Central variou de 0,34% para 0,32%.
De acordo com o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, os resultados não alteraram sua perspectiva de novo corte de 25 pontos-base da taxa básica Selic no início de novembro, já após a eleição, e de nova redução de 25 pontos-base em dezembro. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano.
Na última quarta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 78,6% de chance de corte de 25 pontos-base da taxa básica Selic em novembro, contra 18% de probabilidade de manutenção e 3% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.
Para a reunião de política monetária de dezembro do Banco Central, as apostas apontavam para chance de 43% de corte de 25 pontos-base, 24% de redução de 50 pontos-base e 21% de manutenção.
Aviso