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Taxas dos DIs sobem influenciadas por IBC-Br, leilão do Tesouro e exterior

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 16 Abr (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com altas firmes, influenciadas pelo Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) acima do esperado em fevereiro, pelo forte leilão de títulos prefixados do Tesouro e pelo noticiário sobre a guerra no Oriente Médio. 

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,495%, em alta de 15 pontos-base ante o ajuste de 13,343% da véspera. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,54%, com elevação de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,493%.

No início da sessão, o Banco Central informou que o IBC-Br, considerado um indicador de tendência para o Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, ficando acima da expectativa de economistas ouvidos pela Reuters, de alta de 0,47%. Em relação a fevereiro de 2024, o IBC-Br cedeu 0,3% na série sem ajuste, e nos 12 meses até fevereiro houve aumento de 1,9% da atividade.

O resultado acima do esperado deu suporte às taxas dos DIs, em especial entre os contratos a partir de 2028, em meio à leitura de que a atividade aquecida sugere um espaço menor para cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,75% ao ano. 

Durante a manhã, a curva recebeu novo impulso do leilão de títulos prefixados realizado pelo Tesouro, conforme operador de um grande banco de investimentos ouvido pela Reuters. 

O Tesouro vendeu 28 milhões de Letras do Tesouro Nacional e 7 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F, um montante bem acima dos 12 milhões de LTN e 3 milhões de NTN-F da quinta-feira passada. 

Em operações assim, é comum que os participantes do leilão de títulos busquem hedge (proteção) no mercado de DIs, comprando taxa, o que dá certa sustentação à curva. Como os títulos do Tesouro tinham datas diversas de vencimento -- de abril de 2027 a janeiro de 2037 -- o efeito da operação foi visto ao longo da curva.

Além dos fatores locais, a curva brasileira também reagiu ao longo do dia ao noticiário sobre a guerra e seus ruídos. 

Fontes iranianas disseram à Reuters que os negociadores de EUA e Irã reduziram suas ambições em relação a um acordo de paz abrangente, após as conversas do último fim de semana, em Islamabad, não terem avançado. Os dois países estariam agora buscando um memorando temporário para evitar o retorno do conflito no curto prazo.  

À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel -- também envolvidos nos conflitos que se espalharam pelo Oriente Médio -- e disse que a próxima reunião entre norte-americanos e iranianos pode ocorrer no fim de semana. 

Neste cenário, os rendimentos dos Treasuries se firmaram em alta durante a tarde, dando suporte às taxas dos DIs. Em meio às incertezas sobre a guerra e seus impactos inflacionários, os agentes seguiram precificando chances maiores de o Banco Central cortar a Selic em apenas 25 pontos-base no fim deste mês, e não em 50 pontos-base.

Durante a tarde, no evento Itaú Latam Day, em Washington, o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Picchetti, classificou como "muito preocupante" a expectativa de inflação para 2028, que está subindo e se desviando da meta. Na véspera, o diretor de Política Monetária, Nilton David, já havia dito que os membros da instituição não estão “felizes” com a alta da expectativa para 2028. 

Conforme o último boletim Focus divulgado pelo BC, a mediana das projeções de economistas do mercado para a inflação em 2028 está em 3,60% -- acima dos 3,50% projetados um mês antes. 

Às 16h41, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento -- subia 3 pontos-base, a 4,309%.

(Edição de Pedro Fonseca)

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