Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 4 Set (Reuters) - Os investidores deram continuidade nesta sexta-feira ao movimento mais recente de redução de prêmios na curva a termo brasileira, com a corrida eleitoral se mantendo no foco, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries subiram após a divulgação de dados fortes do mercado de trabalho dos EUA.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,585%, com baixa de 1 ponto-base ante o ajuste de 13,595% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,255%, com recuo de 3 pontos-base ante 14,289%. Na semana, essas taxas acumularam baixas de 19 e 33 pontos-base, respectivamente.
Pela manhã, o relatório payroll do Departamento do Trabalho dos EUA mostrou que a economia norte-americana criou 162 mil postos de trabalho em agosto, quase três vezes a projeção de 56 mil vagas calculada por economistas ouvidos pela Reuters. A taxa de desemprego no país ficou em 4,1% em agosto, em linha com o esperado.
Após a divulgação, os rendimentos dos Treasuries ganharam força -- em especial os de curto prazo, em meio ao aumento das apostas de que o Federal Reserve poderá subir juros em breve.
O movimento dos Treasuries deu certo suporte para a curva de DIs, mas os investidores no Brasil também seguiram atentos ao cenário eleitoral.
A nova pesquisa do Datafolha, publicada na noite de quinta-feira, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto na simulação de segundo turno, contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois estão em empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais.
O resultado representa uma diminuição numérica da distância entre Lula e Flávio. No levantamento anterior, eles tinham 47% e 43%, respectivamente.
De modo geral, Lula tem sido visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias positivas para Flávio têm favorecido a queda do dólar ante o real e a redução dos prêmios na curva a termo.
Assim, entre o fim da manhã e o início da tarde, as taxas futuras no Brasil já demonstravam maior fraqueza, dando continuidade ao movimento mais recente de redução de prêmios na curva.
Após marcar a máxima de 13,640% (+5 pontos-base) às 9h46, depois dos dados do payroll, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de 13,560% (-4 pontos-base) às 13h21. Nesse horário, os rendimentos dos Treasuries já haviam se afastado das máximas do dia, mas ainda se mantinham em alta.
Parte das atenções também seguiu voltada nesta sexta-feira para o Supremo Tribunal Federal (STF), que pode se tornar um fator-chave para a disputa entre Lula e Flávio.
O presidente da corte, Edson Fachin, prometeu uma resposta institucional firme e rigorosa sobre a crise atual, em meio ao embate travado entre os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes, em que cada um tem levantado suspeitas sobre o outro.
Nesta sexta-feira, Fachin tirou o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das "fake news", relatado por Moraes. A decisão surgiu após Moraes ter apontado na véspera prática de atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade de Mendonça.
Moraes, por sua vez, está no centro do escândalo do Banco Master, relatado por Mendonça, por suas supostas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na corrida eleitoral, Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O mercado de hoje está lendo a crise do Supremo por uma única lente, que é a lente eleitoral, não está precificando risco institucional, está precificando a probabilidade de alternância de poder”, avaliou Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital.
“As mensagens entre Alexandre Moraes, no caso do Banco Master, e Vorcaro viraram combustível de campanha para Flávio Bolsonaro, que intensificou bastante o discurso de crítica, e o Datafolha de ontem à noite acabou consolidando isso”, acrescentou.
Às 16h52, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha alta de 4 pontos-base, a 4,377%.
(Edição de Pedro Fonseca)




Aviso