Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 8 Set (Reuters) - As taxas dos DIs voltaram a ceder nesta terça-feira pós-feriado no Brasil, dando continuidade ao movimento mais recente de eliminação de prêmios na curva em função da disputa presidencial acirrada, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries também caíam nesta manhã.
Às 9h58, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,54%, em baixa de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,583% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,075%, com recuo de 16 pontos-base ante 14,232%.
Na sexta-feira, a curva brasileira completou quatro sessões consecutivas de redução de prêmios, em meio ao fortalecimento recente da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto, na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na segunda-feira, quando o mercado no Brasil esteve fechado em função do Dia da Independência, a pesquisa Quaest mostrou que Lula e Flávio têm 41% das intenções de voto cada um no segundo turno da disputa. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 42% e Flávio somava 41%.
Já a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou que Flávio passou a ter vantagem numérica sobre Lula no segundo turno. O senador soma 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão empatados tecnicamente. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 45% e Lula somava 46%.
No mercado, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a eliminação da diferença para Lula no segundo turno -- têm favorecido a queda do dólar e a redução de prêmios na curva a termo.
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) é outro ponto de atenção entre os investidores. Nesta terça-feira o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. Além disso, pediu a convocação de uma sessão extraordinária da Segunda Turma do STF ainda nesta terça-feira para avaliar a decisão.
Relator do caso do Banco Master, Mendonça tem travado um embate com o ministro Alexandre de Moraes no STF, em que cada um tem levantado suspeitas contra o outro. Moraes se baseou na quinta-feira passada em relatórios de inteligência produzidos pela PF, comandada por Andrei Rodrigues, para pedir investigações contra Mendonça.
O embate no STF ganhou importância para a disputa eleitoral e, em paralelo, para os mercados no Brasil. Isso porque Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Neste cenário, os investidores vêm consolidando nos últimos dias as apostas de cortes da Selic no curto prazo. Na última sexta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 95% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic este mês, contra 3,5% de probabilidade de manutenção da taxa básica.
Para o encontro seguinte, em novembro, a precificação indicava 58% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base e 28% de chance de manutenção. Uma semana antes, em 28 de agosto, os percentuais de novembro eram de 45% para corte de 25 pontos-base e 38% para manutenção.
Além do componente político, a curva brasileira é influenciada nesta manhã pela queda dos rendimentos dos Treasuries no exterior. Por outro lado, o petróleo Brent voltou a subir nesta manhã, para a faixa dos US$98 o barril, em meio ao cenário turbulento no Oriente Médio.
Na segunda-feira, o Irã reforçou a intenção de retaliar ataques dos EUA às suas posições na região.
Às 9h58, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 2 pontos-base, a 4,764%.




Aviso