Por Julien Pretot
PARIS, 2 Jun (Reuters) - Marta Kostyuk acusou as jogadoras russas de se esconderem atrás do silêncio sobre a guerra na Ucrânia, dizendo que, após quatro anos de conflito, elas mostraram "de que lado estão", em comentários nesta terça-feira, ao chegar à sua primeira semifinal de Grand Slam.
A tenista de 23 anos venceu a também ucraniana Elina Svitolina por 6-3, 2-6 e 6-2 em uma emocionante partida de quartas de final disputada horas depois de mais uma noite de ataques russos a Kiev e, em seguida, lançou uma crítica contundente às jogadoras russas que continuam evitando condenar publicamente a guerra.
Kostyuk, que enfrentará a russa Mirra Andreeva, disse que deixou de aceitar o argumento de que as atletas russas podem permanecer em silêncio por causa de possíveis repercussões no país.
"Existe uma maneira se você não concorda", declarou Kostyuk aos repórteres. "Conheço algumas pessoas que deixaram a Rússia no momento em que a guerra começou, que venderam todos os seus negócios, que deixaram tudo para trás porque simplesmente não concordam com o que seu país está fazendo com outras pessoas."
Ela citou a colega jogadora Daria Kasatkina, que mudou sua nacionalidade esportiva da Rússia para a Austrália no ano passado, como um exemplo de alguém que se manifestou publicamente apesar da pressão sobre sua família.
"Acho que ela não mora na Rússia, mas a maioria das jogadoras não mora na Rússia", disse Kostyuk. "Não há nada que as impeça se isso é algo em que elas não acreditam...Depois de quatro anos, acho que elas deixaram bem claro de que lado estão."
Os comentários de Kostyuk foram feitos depois que ela foi questionada sobre as falas de jogadoras russas, incluindo Diana Shnaider e Andreeva, que disseram anteriormente que se concentram apenas na bola de tênis e evitam discussões políticas.
"Todas elas são adultas. Elas sabem do que estão falando. Elas sabem o que está acontecendo. Elas têm telefones. Elas têm Instagram. Elas têm notícias", afirmou Kostyuk.
"Eu gostaria que houvesse uma postura mais clara sobre o que está acontecendo, especialmente quando seu país está matando outras pessoas."
Mais cedo, a ucraniana dedicou sua vitória ao "povo ucraniano" depois de revelar que acordou com a notícia de outra noite mortal de bombardeios antes de verificar a segurança de sua família.
Kostyuk disse que representar a Ucrânia se tornou mais importante do que os próprios resultados.
"Com tudo o que está acontecendo, para mim, estar aqui é uma verdadeira bênção, e não penso em ganhar", declarou ela. "Estou aqui para representar a Ucrânia e desfrutar."




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